Sede

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Tenho sede.

Bebida alguma foi capaz de saciar-me, desde que... Tu sabes.

Tenho sede.

E não imaginar possível, à luz cruel destes dias, mãos capazes de albergar tanta água como aquela de que necessito para sobreviver, como que me entorpece os sentidos, e a esperança...

Tenho sede.

É um problema geométrico, percebes?

Culpa da mãe natureza, claro está.

Se ao menos não tivesse dotado o Homem de uma insana apetência pelo amor/tragédia, tudo seria bem mais fácil...

Mas não.

Fê-lo sedento de tudo aquilo não pode atingir, consciente desse facto, e pior ainda, incapaz de perceber os mistérios da vida, quando em desnorte, quando...

Vazia.

Tenho sede...

... E afogar-me-ei nas lágrimas que por mim vertestes, antes sequer de vos aperceberdes que tudo o que eu tinha era


sede.

A Sleighing Song Tonight

(Imagem: Link)


Cinco horas de uma manhã qualquer, e ali estava ele, cansado e doente, em mais uma das suas inúmeras e vãs tentativas de afugentar o medo, da loucura, o desespero, da solidão.

O gélido cimento do chão, fiel servidor de aconchego aos inúmeros rascunhos que, amarrotados, por ali se amontoavam, era a prova de que já se havia esgotado a essência do seu coração, pois se já nem era capaz de escrever, o que mais lhe restava naquele mundo cruel?

Ecoavam pelos cantos, melodias natalícias que os "outros" teimavam em entoar, como que isso o fizesse feliz... Como se o Natal significasse outra coisa que não "o pior dia do ano", aquele em que o mundo fazia questão de recordar, aos velhos lobos solitários como ele, o quão miseráveis eram as suas vidas, o quão insignificante era a existência, quando não existia sequer alguém a quem desejar "Boas Festas"...

Ele, que sempre fora um sobrevivente, via-se agora condenado pelas dores, que na alma como nos dedos, o impediam de continuar, a escrever, a viver...

Olhou de soslaio para o mais que gasto calendário que trazia no bolso. Ele, que nunca perdera a noção dos dias, quis certificar-se de que não se havia enganado.

Mesmo que tivesse, o bulício que se instalara nas ruas como nos lares, os risos e os gritos de felicidade que as crianças não conseguiam conter, não enganavam ninguém: havia chegado "O" dia.

Havia planeado, ao longo de todo o ano, a sua própria festa de Natal.

Liberto de toda a tensão que um tal momento suporia, sorriu uma última vez, e fechando os olhos, permitiu-se a si mesmo um último pensamento: crianças, a brincar, felizes como ele nunca havia sido, e os seus pais, também eles satisfeitos, a contemplarem a beleza que existe na vida, através delas, dos seus olhos puros e inocentes que, esperava, jamais viessem a conhecer as misérias do "mundo real"...

O sol, incrivelmente quente e brilhante para um dia de Inverno, banhou-lhe a alma pela última vez.

O som de um disparo só passa despercebido quando as pessoas estão demasiado ocupadas para o ouvir... Quando o frenesim típico desta quadra cega e ensurdece o mundo.

Ele sabia-o.

E até hoje, nunca ninguém se preocupou em saber, por que motivo escolheu aquele homem, o dia de Natal para se despedir da vida.

Em boa verdade, ele não tinha uma única pessoa que pudesse sentir a sua falta... E assim sendo, tudo o que resta da sua passagem pelas nossas vidas, é precisamente este conto de Natal, pronto para ser lido por todos aqueles que encaram o mundo como sendo um paraíso, e a vida, como uma brincadeira de crianças... Crescidas.

Para todos eles...

"Feliz Natal".




(Texto escrito para a Fábrica de Letras.)

I (Don't Wanna Be) Me Anymore...

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Saído do turbilhão de emoções, problemas e soluções, o inesperado: caos absoluto, e a ordem, como uma equação irresolúvel, a esperança...

Ribombam nos céus os trovões, como tambores rufantes que anunciam o improvável: a loucura, outrora contida, que explode agora na palma das mãos como dos dedos, cansados e órfãos, dos seus medos.

O ocaso dos sentidos, à tarde despertos, à noite vivos como as brasas de uma fogueira na areia daquela praia distante, como os passos incertos de um ser errante que finalmente chega ao final dos seus dias.

Corpos em sofreguidão, outrora fartos, por hora reféns de pagãs vontades e outras tantas vaidades, tementes a um dEus menor: o que lhes perdoa, por saberem o que fazem.

Two steps forward, three steps back... Without warning, heart attack. He fell asleep in the snow, never woke up, died alone...

E agora?

Jamais quererei ser, novamente, eu...

Day And Then The Shade


Um daqueles raros casos, em que uma grande banda é capaz de lançar grandes registos uns atrás dos outros, incapaz de desiludir os fãs, presenteando-os sempre com um acompanhamento de luxo: videoclips de qualidade assinalável, numa soma final de categoria ímpar e quase inigualável, nos dias que correm.

Addictive

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Um manipulador nato.

Era-o, mas não por querer sê-lo. Corria-lhe simplesmente nas veias, sangue contaminado com a maquiavélica fórmula de uma indesejável arte: a de manipular os outros, a mais negra nuance de uma personalidade que era, inclusive, mais forte que a sua própria vontade.

Negra pois, seria impossível classificá-la de qualquer outro modo, intrínsecos que eram os valores da dignidade humana, do respeito pelos outros, da necessária e suposta inabilidade para os moldar a seu bel-prazer, pois seria sempre essa a única forma de não sentir remorsos, no dia do seu juízo final.

No final, e fazendo uma retrospectiva cínica pelos meandros tortuosos do seu passado recente, apercebeu-se de que a verdade era só uma: havia-os vergado a todos, perante as suas vontades.

De uma forma ou de outra, havia obrigado meio mundo a ceder perante os seus caprichos, insignificantes ou não, pouco importava.

A todos... Menos uma.

Uma pessoa, no meio de todas as outras, ousou resistir-lhe, a ele, logo a ele!

Ignóbil criatura, essa. Poderosa, sustentada na rocambolesca essência do seu passado, servira-se dele com inigualável mestria, provocando no dito personagem, acessos de fúria incontroláveis, quiçá, pela afronta que ousou fazer-lhe, obrigando-o pela primeira vez, a recuar perante um seu semelhante.

Frágil, no entanto, perante o inevitável confronto com a realidade dos dias, mais dura e cruel que os narcóticos criados no calor da excitação, mais letal que a dose de bom senso que lhe foi impingida, segundos antes do último adeus à luz da vela, quente, quente.

Não tivera tido sequer, tempo para lhe perguntar, por que motivos lhe havia mentido de forma tão cruel.

Tempo não teve, sequer, de olhar para as suas mãos outrora sangrentas, e perguntar a si próprio, onde tinha errado...

E ainda hoje engendra, no seu subconsciente, planos de acção que lhe permitirão um dia, reclamar perante ela, o que lhe é devido, e que nunca, mas nunca, lhe deveria ter sido negado.

Convencido apenas, de que esse dia chegará. Nesta vida ou...

Não Chores Mais

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Não chores mais. Avó, sei que me ouves desse lado. Ainda eu não passava de um esboço mal feito na cabeça de dois inocentes, e já tu saboreavas na face as agruras deste mundo decadente para o qual te trouxeram sem pedir autorização. Não tinham esse direito, pois não? Ninguém devia ser obrigado a nascer para um mundo tão feio como este em que vivemos. Não chores mais. Eles não merecem, Avó… Por mais lágrimas que vertas, jamais terão o prazer de ver desvanecer-se nos teus olhos, a cor azul celeste com que tos pintaram, aqueles que um dia acreditaram no futuro utópico que neles parecia impresso, logo à nascença. Não chores porque, sempre que o fizeres, dar-lhes-ás motivos de festa. Julgam eles, que assim estarás cada vez mais perto do fim, regozijam e brindam ao futuro risonho que os teus bens lhe proporcionarão, uma vez finda a tua passagem pelo mundo dos vivos. Achas mesmo que vale a pena? Não. Ouve-me: eles não sabem o que fazem. Não vejas em mim divindade alguma, mais não sou que o amontoado de pequenos nadas que sempre soubeste amar, não obstante a rejeição de todos os outros, perante a minha pessoa. Pessoa, ouviste bem? Afinal, a ironia dos deuses: havia de herdar de ti o maior dos teus defeitos – a teimosa persistência que me permitiu levantar do chão, e fazer-me homem quando todos afirmavam que seria macaco. Coloca no meu ombro a tua mão – dançarei contigo uma última valsa. Será a mais longa de todo o sempre. Não terá o habitual ritmo lento e melodioso, antes, tambores rufantes e xilofones trepidantes, acordeãos vibrantes e violas electrizantes. Não deixará de ser uma valsa, pois o teu corpo envelhecido não permite grandes movimentos. Podem rir à vontade… Mas eu tenho o direito de lhe chamar o que quiser. Até poderia ser outra coisa qualquer, mas não: é a valsa da despedida entre uma avó e um neto. Agora que paraste de chorar, aceita este copo. Sirvo-to com a mesma vontade com que o bebes, satisfeitos que estamos com os efémeros sorrisos por ele proporcionados. (Retiro-me, antes mesmo de te aperceberes que não passou de um sonho.) No dia seguinte, toco à campainha e não obtenho resposta. O telefone fora desligado, a casa ficara vazia sem que eu tivesse tido tempo para te indicar qual o melhor caminho a seguir para alcançar o céu. Sei que o encontrarás, no entanto. Mesmo sem a minha ajuda. E eu lá irei ter contigo, mal esteja preparado. Não chores mais... [Na falta de inspiração presente, salvem-se as memórias de um passado recente. Escrito, publicado e posteriormente eliminado por mim, algures num blog, em 2008.]

Ontem(s)

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Dissesse-vos eu ter tido ontem(s) memoráveis, a pontos de neles alicerçar o(s) amanhã(s) que um dia sonhei, e mentir-vos-ia.

Aldrabão seria, mas assim de repente, fá-lo-ia de uma forma despretensiosa e até inocente, pois sem pensar, poderia dizer-vos que já fui feliz, ontem.

Poderia contar-vos tantas histórias, de tantos dias diferentes, que meses juntos totalizariam menos de quase nada.

Mas em boa verdade, e avaliando conscientemente o(s) meu(s) ontem(s) feliz(es), tudo não tem passado de um tremendo conjunto de embustes, ora acidentais e fortuitos, ora maquiavélicamente arquitectados por pessoas que, a espaços, tiveram na minha vida a importância suplementar que eu, em plena posse de todas as minhas faculdades, lhes conferi.

Todas elas foram desaparecendo do meu caminho, na maior parte dos casos, por assim o entenderem, mas... Houveram também aqueles que, conscientemente ou não, me encarreguei de pontapear no traseiro, e por insano que soe, é dessas pessoas que mais sinto a falta, hoje em dia.

Questiono-me, com que direito o fiz, não tendo grandes motivos para isso... Mas nunca chego a conclusão alguma.

Suponho que é mesmo defeito de fabrico... Algures no fundo da minha complexíssima mente reside uma força que desconheço, força essa que me impede de aproveitar as pequenas entre-aberturas nas portas, e me obriga a fechá-las de novo, uma e outra, e mais outra vez...

E esta é a única explicação que consigo dar-vos, meus caros.
Não me crucifiqueis mais: pudésseis vós imaginar sequer, uma ínfima parte dos tormentos que existem dentro de mim, e choraríeis, mais do que algum dia alguém chorou por quem quer que seja...

Deixai-me, apenas, ir estando. Pois será a mesma mãe natureza que me deixa ir respirando o seu ar, a encarregar-se de mim quando a esta vida mais não puder dar senão... Ontem(s).

Fly away where I find another day
Black bird fly, rise very high
To a place above (the) sky
Take me away, lead astray
Where I find another day
Fly high to a place above the sky
Fly away where I find another day...


Dispossession

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Por entre a ténue bruma que demarcava o profícuo território de onde emergia dia após dia, não mais vislumbrava senão os contornos do cerco que se (lhe) apertava cada vez mais, o cerco castrador de almas e pescoços, o cerco.

Do alto sobressaiam as luzes, por entre a escuridão de todas as almas que trilhavam os penosos caminhos da solidão, e lá de cima, ele que observava, cada vez mais se convencia de que a prisão em que vivia jamais abriria as suas portas, para que de lá pudesse evadir-se, senão para mais, ao menos para que pudesse limpar das narinas aquele cheiro putrefacto a mortes, que teimava em entranhar-se-lhe nos poros, ali, só ali.

Por vezes imaginava-se a bater as asas e a voar para longe dos seus infernos, mas cedo se apercebia de que mesmo possível tal utopia, não existiria do outro lado, um só par de braços abertos para o receber, e isso, por si só, era motivo para repensar o valor e o significado daquilo a que os outros chamavam "amor".

Pensou e repensou, uma e outra vez. Chegou a tantas conclusões, que não caberiam nas paredes da tal cela em que vivia, ainda que impressas em papel e reduzidas ao menor tamanho legível, ainda que a alguém interessassem o suficiente para serem importantes, ainda que...

O diâmetro da bolha que o consumia era já de tal forma imenso, que nem recorrendo a todos os escadotes do mundo seria capaz de alcançar-lhe o âmago, pequeno que era naquele mundo decadente que o viu nascer...

... E para ele morrer.

Breathe Live @ Isle Of Wight


Sou só eu, ou mais alguém está a necessitar de uma injecção de adrenalina?
Em fullscreen e com o som no máximo, de preferência.
Obrigado.

Bees

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A essência da inveja (!) em todo o seu esplendor.

Como abelhas que teimam em picar-me, mesmo sabendo-me imune aos seus venenos, assim são previsíveis e vulgares, as pessoas.

Vinde a mim e impedi-me de dormir por uma noite, ir-me-ei a vós e serão muitas mais, aquelas que ireis passar em claro, aquelas em que ireis chorar não por mim, mas pela vossa própria miséria, mal vos apercebais do quão ridículos sois, submersos nessas vossas vidinhas insípidas.

Invejai-me, pois enquanto julgardes haver em mim o que quer que seja para invejar, podeis descansar, esquecendo-vos por momentos do inegável facto de que apenas andais cá por ver andar os outros, e nesse entretanto, sê-de felizes.

Tão felizes como eu serei, no dia em que do tal Nirvana beber a essência, nesta vida ou noutra qualquer, livre, finalmente livre de tudo aquilo que contribuiu para o facto de este blog existir.

Enough already?

In a Manner of Speaking...

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A fábrica do medo produz horrores com uma frequência tal, que até o mais destemido dos guerreiros acaba por sucumbir-lhe às portas, não importa o quanto lutou, no final acaba por perecer como todos os outros, sem que nada nem ninguém possam valer-lhe.

Vidas em rota de colisão com o mundo, amontoam-se por entre as paredes oblíquas dos quartos crescentes do tempo, esse inimigo cruel e impiedoso que teima em fazer-se sentir mesmo quando a sua presença é a mais indesejável de todas.

Passam os dias, e com eles se arrastam as memórias absurdas dos tempos de sofreguidão, cuidadosamente cinzeladas como se de esculturas se tratassem, quiçá, por obra de uma tal entidade superior que escapa ao alcance do comum mortal, fintando a lógica e espezinhando a ciência com uma tal discrição, que consegue passar despercebida, até mesmo aos olhos dos tais sabichões que, diz-se, tudo sabem e tudo vêem, à excepção do Amor.

Esse sim, talvez, o maior enigma da humanidade. O tal que é invisível mas está sempre presente, o tal assassino de bom sensos que quebra todas as regras e protocolos, o tal que a bem da continuidade da espécie era perfeitamente dispensável, o tal, o tal...

Mergulhem na sua essência até ao infinito do vosso ser, ou afastem-se dele o máximo que conseguirem.

Mas, sobretudo, não morram por ele, ou pela sua ausência, amigos meus.

Permitam-se ser felizes e viver a vida na plenitude das vossas capacidades, não deixem que os remorsos corroam as vossas mentes e vos conduzam à loucura, ou será demasiado tarde para voltar atrás...

(E pensem, pensem bastante nisto, ou não fosse este um "Blog Pensador"). ;)

Até sempre.

Again, But...

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Substituem-se os chicotes pelas plumas, perfumadas tal qual o aroma inconfundível de um vintage, e dos sons que se propagam em surdina por mundos alternativos nascem novas ligações, únicas e inconfundíveis, como que da primeira vez se trate, como que uma espécie de ilusão assente em sensações desconhecidas, outrora utópicas, por hora suspensas nos pensamentos de uma mente decrépita.


Will he live again?

The Unforgiven


What I've felt
What I've known
Never shined through in what I've shown
Never be
Never see
Won't see what might have been...


Em memória de um dos maiores artistas de todos os tempos (ainda que longe das minhas preferências musicais), Michael Jackson.

Though you might have been sadly unforgiven, you'll surely be, forever, unforgettable. Rest in peace.

Before The Farewell

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Se ao menos não fosse tão agudo, a som deste sangue que me fazeis escorrer para o chão, talvez eu não estivesse assim tão louco, e fosse capaz de agarrar-vos e explicar-vos, que todo este fumo não tem razão...

Saturado, de uma vida de instabilidades tremendas, oxalá tivesse eu mãos suficientes para vos puxar a todos para fora destes mórbidos infernos em que vos mergulhais, em que me mergulhais tão fundo que nem o tal deus dos céus seria capaz de nos salvar, ainda que existissem, ele e os céus...

Suponho que seja apenas minha, uma vez mais, a culpa de tudo isto.

Tivesse eu sido outro, e estaríeis certamente melhor, libertos do peso de uma presença que mais não poderá trazer senão alívios temporários de amarguras várias, mas que no final das contas, é apenas mais um peso morto a acrescentar a uma contabilidade de tragédias que nem o mais imaginativo dos escritores conseguiria transformar em palavras, quanto mais eu, que não sou escritor, que não sou poeta nem senhor doutor.

Não sou, e pago por isso um preço demasiado elevado há tempo demais.

Desconheço as horas, ludibrio o tempo. Mas, como decerto compreendem, todo o ser humano tem limites e os meus, que supostamente deveriam revelar-se lá pelos fins da vida, explodem-me nas mãos, a pontos de me queimarem.

Soube hoje que não aguento mais.

Se a mente estava frágil, percebi agora que também o corpo cede inevitavelmente, perante um acumular de situações que além de fustigarem, matam, mesmo.

E eu não quero morrer. Não sem antes obter meia dúzia de prazeres sem os quais não me permitirei partir deste mundo, a menos que tal facto não dependa de mim, obviamente.

E assim sendo, afastar-me de tudo isto afigura-se como a única solução, e por mais que me custe, terei mesmo de o fazer. A alternativa?

...

(You already know that...)...

Arma-goddamn-motherfuckin-ASSHOLE




EU idolatrei este personagem, esta banda, durante 10 anos.

EU, admirava tudo o que dele provinha, desde Portrait of an American Family, editado em 1994, até The Golden Age of Grotesque, de 2003.

A partir daí, morreu.

Sim, porque de sonoridades apelidáveis de metal industrial, glam rock, ou que quer que fosse que saía daquela mente outrora brilhante, até uma espécie de pop-rap com que este senhor resolveu insultar os fãs neste mais recente registo, vai uma distância tão grande como aquela que separa o amor do ódio... Ele não pára de nos surpreender pela negativa, e nós não lhe perdoamos.

Razão tinha o Trent, quando o apelidou de "palhaço drogado"... Acho que as drogas lhe queimaram completamente o que restava do cérebro, não deve tardar a entrar em estado vegetativo.

Estou a pensar seriamente em queimar a bandeira gigante que se encontra pendurada bem por cima da minha cama.

No mínimo...

The Expendable

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Dropped inside the bitter ugliness of their (un)perfect world, there he lies in his bed of sorrows.

King of nothingness, or the randomly accepted intelectual wannabe in the village of rotten sensibilities, there he is for them to spit.

After all those rusty years, he finally realized that all the rushes were nothing but a complete waste of time.

If you can't be happy for at least five minutes a day, what's the meaning of your life?
What's the purpose of being depressed twenty-four seven, if you're not even able to have someone by your side, kissing your lips and grabbing your cold hand to comfort you, when the rest of the world seems to hate you?

Would you even be able to feel that hand, after all these decades of insane sickness?

...

(I wish I was...)...

Comfortably Numb (Live)



Daquelas músicas imortais, a cuja mestria nos rendemos a cada segundo que passa, e se assim não for, não temos o direito de dizer que somos apreciadores de boa música.
O resto fala por si... Um concerto numa localidade qualquer em plena Polónia, que demonstra serem apenas os trapos, apelidáveis de velhos. David Gilmour em plena posse de todas as suas impressionantes capacidades, e o saudoso e já defunto Richard Wright, naquela que deve ter sido uma noite inolvidável para todos os sortudos que tiveram o privilégio de presenciar tal maravilha.
Desfrutem...

The Human Stain

(Imagem: Link)


Desiludido.

Não com alguém em particular, pois desconheço completamente a pseudo-vítima do meu mau carácter (LOL!), e dessa forma não se pode dizer que me tenha desiludido, pois nela jamais depositei qualquer espécie de esperança que pudesse ter sido gorada depois dos acontecimentos recentes.

Sou cruel, admito.

Digamos que, me dá um certo prazer quando as pessoas imaginam ser o centro das atenções, e a partir do momento em que se apercebem do contrário, fazem birra como os bebés, imaginam coisas que dariam melhores argumentos do que os de 90% dos filmes que Hollywood produz hoje em dia, e isso, ainda que divertido, é assustador.

É assustador porque, no meio do vendaval, da brainstorm que ocorre sempre que os neurónios entram em curto-circuito e bloqueiam a inteligência das pessoas (quando existe, claro), acabam por existir vítimas inocentes que pouco ou nada têm a ver com as alterações atmosféricas que conduzem à ocorrência da intempérie, e é aí, meus amigos, que eu fico chateado, pois claro que fico chateado!

Mas digam lá (e agora lanço o repto aos leitores do sexo masculino): não vos dá um certo gozo, quando fazem de vocês um autênticos casanovas, predadores sexuais de instrumento em riste pronto a comer qualquer pedaço de carne que apareça (mesmo que virtual!), quando o vosso único objectivo quando as elogiam é o de ser simpáticos, até porque o interesse sentimental está bem longe dali, e principalmente, bem longe do espectro virtual a que sempre se cingiram (por opção) em relação à pessoa em causa?

Ao que parece, existem pessoas que não compreendem isso, ou melhor, fazem questão de não compreender e preferem usar esse nosso pseudo-interesse contra nós, para disso tirarem proveito quando os argumentos escasseiam (ou não existem, mesmo), e desse modo nem sequer se apercebem do ridículo em que caem, perante nós, e não só (eu sei que tu sabes, que eu sei que tu sabes...) ...

Ao contrário do que certas e determinadas pessoas possam pensar, o facto de eu ser espontâneo e muitas vezes precipitado nas minhas acções, não significa que por trás delas residam segundas intenções, pelo contrário: se em tempos não o fui, por hora tento emendar-me e há muito que sou sempre o mais directo, sincero e honesto possível, para com o mundo em geral.

E se assim sou, o mínimo que espero é que o sejam para comigo também. Coisa que neste caso, e dada a natureza dos factos, obviamente não aconteceu, ou não estaria aqui a escrever este texto, e se estou, é apenas pela enorme estima e consideração que tenho pela outra "vítima" de um imbróglio criado apenas para amuse buche de certos vampiros que não têm mais o que fazer, senão perturbar as vidas dos outros.


Ter-me-ia abstido de escrever isto, minha querida, não fossem as lágrimas.

Jamais permitirei novamente, que por minha acção directa elas escorram pela face daqueles que amo, se pudesse escolhia morrer de uma vez para que jamais tivesse de sentir nas vossas faces, o produto de ignóbeis tristezas, por mim causadas ou não...

Se alguém conhecer a fórmula mágica que permite retirar do mundo as faces tristes e deprimidas, que me diga o preço, pois eu faria qualquer coisa para a obter... É que acordar todos os dias para o mesmo, é demasiado para mim - não aguento mais tanta insanidade, quero salvar-vos e não consigo, eu...


Quanto a ti, só te peço que me perdoes, por não te ter escolhido quando tive essa oportunidade.
Mas pensando bem, foi só mais um dos muitos erros que cometi. Qual a sua importância? Nunca saberemos, não é?

...

(Forgive me... I was far too young to comprehend...)... ... ...

The End.

Blood Red Blogosphere

(Imagem: Link)


Antes das balas e das bandeiras, já por lá pairavam mais mortos que em qualquer contabilidade feita em tempo de guerra, diziam.

O céu era tão azul, que parecia impossível pintá-lo de vermelho, mas na verdade, conseguiram: foi derramado tanto sangue virtual, que já nem as almas se aproveitavam, no meio de toda aquela insanidade em toada mais circense que outra coisa qualquer, ao mesmo tempo que os palhaços...

Bonecas de plástico, terão porventura um Q.I. superior a estes mortos-vivos que empestam a blogosfera com o fedor insuportável dos seus neurónios esturricados por uma letal acumulação de pseudo-ideias/ideais (dogmáticos!) e nos obrigam a nós, que estamos nisto por "desporto", a considerar seriamente a hipótese de sair airosamente pela grande porta que abrimos, antes que seja tarde demais, ou demasiado tarde, qual das duas?

Depende, do tempo que demoramos a aperceber-nos das regras (em constante actualização) daquilo que cada vez mais é um doentio jogo de gato/rato, ou a decidir se estamos dispostos a deixarmo-nos levar pelas ondas de um mar revoltoso e também ele sedento, do tal sangue virtual de que falo.

Vampire seas, isn't it my dear?

(Mas esqueçam, não liguem a nada disto, afinal eu não sou de confiança, não é, Panama girl?)...

My Own Timelessness...

Havia guardado isto para o dia em que decidisse colocar um ponto final neste mal-amado Life Is Killing Me.

Mas porque hoje me sinto particularmente nostálgico, eis que vos deixo com a minha interpretação pessoal daquela que é, porventura, a música que mais me marcou desde sempre: Timelessness, dos Fear Factory.




O vídeo foi criado por mim há cerca de dois anos, e mais não é que um simples slideshow de imagens retiradas do site deviantart.com, muitas das quais utilizadas também aqui no blog, como ilustração de alguns posts mais antigos.

Esteve (e continua a estar, por uma questão de respeito a todos aqueles que o comentaram e colocaram nos seus favoritos) exclusivamente hospedado no YouTube, mas desde que os gerentes desse luxuoso hotel cibernético se viram na contingência de ceder aos caprichos psicóticos dos grandes papões da indústria musical, fui obrigado a silenciá-lo, "ah e tal, direitos de autor, reclamados por terceiros, bla bla bla..."... (E a mudança para a concorrência foi inevitável.)


Não será este, porventura, o derradeiro post deste blog. No entanto, e como decerto repararam todos os que me acompanham desde sempre, a inspiração há muito que se desvaneceu, pelo que o sentido de continuar a escrever, nestes moldes, é parco, senão inexistente.

Tudo me soa demasiado familiar e repetitivo, as minhas próprias palavras mais não são que os despojos dos dias tristes da minha existência, que amiúde se foram multiplicando e há muito tomaram conta de mim, tapando-me um sol que raramente vi, ou senti.

Facilmente se percebe que o processo de morte associado à vida, que o título deste blog sugere, está muito próximo da sua conclusão.

E enquanto esse dia não chega, resta-me agradecer a todos os que jamais deixaram de fazer notar a sua presença, através de palavras que, de uma forma ou de outra, sempre contribuiram para a tal inspiração que agora me falta, motivando-me a continuar um projecto que sempre teve bastante valor para mim, mas que agora, e cada vez mais, se vai revelando um fardo relativamente pesado: o dever moral de não vos desapontar, associado ao crescente vazio dos meus dedos, é uma mistura explosiva com a qual não posso, nem quero, continuar a brindar-vos.

Dito isto, despeço-me com um até breve que pode muito bem ser um até sempre, dependendo de tantas coisas, que nem vale a pena enumerar...

Au revoir...

Great, Big, White World

(Imagem: Link)


O mundo jamais parava, e era esse o seu maior problema.

Os ossos do pescoço estavam demasiado habituados a pender para o lado direito, olhos demasiado enraizados na imagem passada do retrovisor, jamais capazes de vislumbrar a vida que, supostamente, existe do lado de fora.

Não era mais que um inerte passageiro num veículo desgovernado chamado Vida.
Reprovara em quase todos os exames, abstera-se de procurar formas alternativas de respirar sempre que o fornecimento de ar lhe era cortado, deixara-se ir tempo suficiente para que todos acreditassem que já não era capaz de voltar... Ele próprio, inclusive.

E à falta de estórias escabrosas do arco da velha para contar na primeira pessoa, salvem-se as dos outros: dos suficientemente loucos para desafiar as regras, dos suficientemente lúcidos para não se deixarem apagar, dos suficientemente acomodados para viverem dos pequenos nadas que conquistam e dos quais se vangloriam como se de importância revestidos, os nadas, tantos nadas...

Um dia também ele terá as suas. Estórias! Poderá então ombrear com os homens de barba rija, os vividos que saboreiam uma caneca de 0.40 como se da bebida dos deuses se tratasse, sem se importarem minimamente com os olhares de desdém lançados pelos que são orgulhosamente alguém na tal selva social, pois são felizes à sua maneira... No seu grande, grande mundo branco.

But I'm not attached to your world
Nothing heals and nothing grows
Because it's a great big white world
And we are drained of our colors...

The Path To Decay


Uma menina bonita com uma voz agradável (ou não tivesse ela sido seleccionada entre mais de 500 candidatas para substituir a anterior vocalista), num registo para embalar metalheads com um instrumental interessantíssimo a rematar uma produção simples e extremamente aprazível (mas não excelente) do habitualmente competente Patric Ullaeus (também director de vários videoclips de bandas como os In Flames, inclusivé do último aqui publicado, Come Clarity). Enjoy...

Nota: Uma vez que está em HQ (característica preferencial na minha selecção de vídeos), aproveitem para colocar em fullscreen, vão por mim, vale a pena.

Mean Machine Me

(Imagem: Link)



Sorvestes-me a vida durante todos estes anos, e agora quereis milagres?

Pessoal... Eu sou humano, lembram-se?

Não, claro que não.

"Tu és uma máquina que processa humilhações, transforma-las em energia servil como ninguém, e é por isso que te conservamos, caso contrário serias há muito sucata."

...

Esqueceram-se do spray para a ferrugem. Seus incompetentes, nem para vós sois bons! Então esperavam que o robôzito durasse para sempre, sem uma manutençãozita de quando em vez, só naquela de conservar os parafusos bem apertados, não fosse ele avariar repentinamente, e depois, o que seria de vós?

Too late, my friends... Too goddamn late.

Hoje a lata de conservas entrou em modo de segurança. O chipset auto-reprogramou-se, depois de ter atingido o limite máximo de "arremessos de saias ao ar" para os quais estava preparado.

A versão 2.0 está agora instalada.

De hoje em diante, esperem o mínimo possível. A máquina ganhou vontade própria, já não cede perante os caprichos de rebentos mimados intocáveis e imunes a quaisquer castigos.
Já não verga perante argumentos podres de cérebros esclerosados, a partir de hoje é ela que assume o comando do seu próprio destino, e se eu fosse a vocês, teria imenso cuidado...

Dizem que as descargas de energia são nocivas aos seres vivos, o melhor é acautelarem-se, não vá o tio LuLu tecê-las de novo, e a tragédia abater-se sobre as vossas cabeças... Again.

Come Clarity




I want you to lead me, take me somewhere... Don’t want to live in a dream one more day...

Hyperborea

(Imagem: Link)


A mente esmorece, empobrecida pelas vivências decepcionantes, conversas dormentes de línguas apodrecidas pela ausência de mundo, em queda livre.

Convencei-vos de uma coisa: eu não sou luz, se algum dia me vistes como tal, pois decerto vistes mal ou não seria eu, com certeza.

Eu cá sou trevas desde sempre. E por mais que vos esforceis, tentando impingir-me humanidade, jamais conseguireis fazer sair da toca, o animal ferido e ensanguentado que se esconde de vós em mim, porque pode, porque quer!

E ainda que o sonho me transportasse até à ilha da eterna utopia, onde nunca escurece e as pessoas vivem mais de mil anos, acreditem: transformá-la-ia em pesadelo, matar-lhe-ia os sóis, dizimar-lhe-ia, impiedosamente, todas as esperanças - ou não fosse eu a personificação de todo o mal, a causa de todas as desgraças, e o motivo de todos as lágrimas.

E quanto mais morrerdes em mim, maior será o impacto no mundo, de todas as fúrias que me consomem: por não poder salvar-vos do sufoco a vós imposto, aquando da minha criação...

...I wonder how death shall ever set me free, when there's even in this darkness no place for us to be...

Até Sempre

(Imagem: Link)



Pensamentos voláteis que vagueiam pelo ar, réstias de esperanças que o vento levou para bem longe daqui, há tempo suficiente para te provar não serem já exequíveis, ainda que a esperança, ah a esperança...

Fictícias, as mensagens, que julgavas implícitas nas entrelinhas de pensamentos alheios. Atormentavam-te a alma mais do que o corpo, dormente, pesado e amorfo, por hora mais inútil que o bater de um coração fundado apenas nas ondas de um qualquer mar, disperso e selvagem como a imaginação, quiçá a última fronteira entre o mundo e a (tua) loucura...

Sopra-lhes para os olhos, as toneladas de preocupações que carregas nas mãos, se afinal tu não as inventaste, porque hás-de carregá-las como se o peso do mundo fosse responsabilidade tua?

Fecha a janela do teu quarto frio e bolorento, e vai.

Parte em direcção ao mundo, limpa o suor de todos os passados, esvazia os armários das preocupações e não te esqueças, jamais, da dívida que tens para com os únicos que sempre tiveste: serão eles que abrirão de novo a porta que agora encerras, caso um dia resolvas voltar, e serão eles que fecharão o tampo de madeira sobre o teu cadáver, quando deste mundo mais não puderes espremer senão a lama dos caminhos desconhecidos que ousas agora trilhar.

Boa sorte...

Their Innuendo

(Imagem: Link)



Abster-me de respirar,
na proporção de um suspiro
calmamente instalado
no quietude de um caos
só por mim suportado.

Vai: não são lágrimas,
o que por mim não choras:
São pétalas de rosas,
incandescentes, nos olhares
incrédulos, de todos os mares...

De todos os nomes, as chamas
consumirão apenas as poses
dos que um dia por Ele clamaram
e mais não obteram, senão
o silêncio profano de mil vozes.

E à redenção dos fracos às mãos
inquisidoras dos que quiseram
ser donos e senhores de mim:
eis então que conseguistes
matar-me, por fim...


Life Passion?

(Imagem: Link)


Não sei, já, o que fazer.

Se me entregue à inevitabilidade da decomposição dos sonhos, antes sequer da sua materialização, ou se pelo contrário, continue a suportar as minhas próprias esperanças, numa utópica ilusão cujas probabilidades de concretização são diminutas, ainda que eu não saiba, claro, o que me espera no dia de amanhã... Tu sabes?

Diz-me sinceramente, o que hei-de fazer?

A minha vida é simples. Divide-se basicamente, em dois momentos cruciais do dia, que podem ser comparados aos tradicionais jogos de azar.

Se tiver sorte, a panóplia de pensamentos obscuros que me invadem quando acordo, serão canalizadas pelo meu próprio cérebro, para um esgoto imaginário onde residem os seus semelhantes... Até que em algum momento do dia (ou da noite) (e aqui entra precisamente o lado oposto da moeda, o tal azar), algo ou alguém resolva despertá-los, todos ao mesmo tempo, e nesse caso, a capacidade do autoclismo mental em se ver livre deles é diminuta: toda a gente sabe que uma sanita entupida só lá vai com químicos, e isso, meus amigos... É coisa a que jamais irei permitir-me.

E depois à noite, bem... Da noite haveria tanto a dizer, que não há dedos capazes de resistir à quantidade de vezes que seria necessário premir estas teclas, sem que ficassem demasiado desgastados para voltarem a ser úteis, em qualquer circunstância.

Deixemos isso para depois... Por hora quero apenas paz. Paz, paz, e... Tu.

Back To The Primitive




Parece que ouvi ontem isto pela primeira vez, e já lá vão quase 10 anos.
Uma malha poderosa e cheia de mensagens políticas, sociais e religiosas, como de resto é apanágio de qualquer músico, banda ou personalidade brasileira que se preze. Por algum motivo, aquele povo adora este tipo de atitudes... Grá'çá Deus, né?
Back to the primitive, do tempo em que o Max Cavalera era um músico a sério, e os Soulfly gozaram da fama que ele teve anteriormente com os Sepultura. Depois disto... Quase nada. Enjoy...

Uma Paixão

Visita-me enquanto não
envelheçotoma estas palavras cheias de medo e
surpreende-mecom teu rosto de Modigliani suicidadotenho
uma varanda ampla cheia de malvase o marulhar das
noites povoadas de peixes voadoresvemver-me
antes que a bruma contamine os alicercesas pedras
nacaradas deste vulcão a lava do desejosubindo à boca
sulfurosa dos espelhosvemantes que desperte em
mim o gritode alguma terna Jeanne Hébuterne a
paixãoderrama-se quando tua ausência se prende às veiasprontas
a esvaziarem-se do rubro ouroperco-te no sono
das marítimas paisagensestas feridas de barro e
quartzoos olhos escancarados para a infindável
águavemcom teu sabor de açúcar queimado em redor da
noitesonhar perto do coração que não sabe como
tocar-te.

(Al Berto)

Soul Reaver

(Imagem: Link)


Pensava ser capaz de apaziguar até o mais sobressaltado dos espíritos, mas percebia-se nas entrelinhas, que os seus pseudo-poderes já o haviam abandonado algures no tempo, sem que disso se apercebesse até ser tarde demais.

Em boa verdade, seria sempre tarde demais, a partir do momento em que da sua acção calmante já não pudessem beber os que dela mais precisassem, e no caso concreto, aquela que de todas sobressaiu como um pedaço de diamante à deriva num mar de lodo em dia de Verão, Verão quente como a alma inquieta do tal diamante em bruto que temia ser lapidado pelas mãos do ultimo dos artesãos, do último crente em terra de cépticos... Era dele que queria fugir a qualquer custo, por mais que a sua vontade fosse exactamente o contrário, por mais que...

Bateu com a cabeça na parede mais de cem vezes, esperançoso que da dor física resultasse uma ideia brilhante capaz de o conduzir à solução do puzzle mais complexo que alguma vez se propora montar. Mas nada, a resposta era o vazio, e a vontade de gritar enlouquecia-o por já não ter boca ou língua capazes de reproduzir o volume correcto do som da maior frustração da história da sua (in)existência.

Por hora ainda medita, o incauto lutador que se recusa a matar sonhos - ele não tem culpa, já devias saber que assim nasceu e assim partirá, por mais que te esforces não conseguirás convencê-lo de que os (teus) raios de sol não são capazes de o aquecer, pois é precisamente desse calor que ele tem vivido nas últimas semanas.

Serás mesmo capaz de lhe apagar a luz, sabendo que à noite ele morre sozinho, na falta de quem lhe agarre a mão e o deixe sonhar?

...but what can I say now?
it couldn't be more wrong
cos there's no one there
unmistakably lost and without a care
did we lose all the love that we could have shared
and its wearing me down
and its turning me round
and I can't find a way
now to find it out
where are you when I need you...
are you there?...

Sadness... Sadness




...Better times are moving up ahead
And all sorrow is gone for good
Hey my girl, why don’t you just let it flow
All this time I tried to figure out
Just what it takes to live on your cloud
yeah my love, I guess I misunderstood
When you said; just hold on a second here...

Possibly Maybe

(Imagem: Link)



Foi por ter acreditado sempre na exequibilidade do impossível, que cheguei até aqui.

E tentas agora convencer-me de que são amargos negrumes, aquilo que a mim me parecem ser os raios de sol mais brilhantes que algum dia existiram à face da (minha) terra?

Trevas vi eu, minha querida. Vejo-as, todos os dias, tão perto de mim que quase me impedem de respirar, quanto mais de alumiar o meu próprio caminho...

Estou cansado.

Cansado de correr em direcção a uma meta imaginária que só se afasta cada vez mais, à medida que dela me vou aproximando...

Já não tenho, no meu cemitério privado, espaço suficiente para enterrar mais sonhos. Por lá moram já tantos, que era capaz de formar um exército de zombies suficientemente grande para tomar de assalto o planeta, e reduzi-lo a cinzas num piscar de olhos...

Para mim já chega.

E sei que para ti também, ainda que jamais o vás admitir.

Permite-me apenas, que te acenda novamente.

A rampa de lançamento é já ali ao lado. Se olhares atentamente, através da janela do teu coração, encontrá-la-às facilmente, pois sempre soubeste onde estava.

No foguetão de ilusões que nos levará aos confins dos sonhos, estou já pronto a descolar. Mas não tenhas pressa, os motores ainda estão a aquecer, e tudo leva o seu tempo. Quando estiveres preparada, é só vestires o teu fato e subires a bordo.

Quanto ao resto, não precisas de te preocupar. Eu sempre soube como pilotar a máquina, apenas ainda não havia encontrado a chave... (como poderia imaginar que eras tu quem a tinha?)...

Each night when the day is through, I don't ask much... I just want you
.

Hey You



Hey you, don't help them to bury the light... Don't give in without a fight! ...
Hey you, would you help me to carry the stone? Open your heart, I'm coming home...

Someone That Cannot... Love?

(Imagem: Link)


Pudesse eu deixar de escrever sobre o que nunca tive, e escrever-te-ia a ti, impressa a carvão em todo o esplendor das tuas cores, a ti.

És o esboço de tantos sonhos diferentes, que quase te perdes nas densas brumas de um imaginário tão fértil que assustador, em toda a extensão da demência do seu criador.

Fosses um livro, e não caberiam nas tuas páginas, palavras suficientes para descrever o quão admirável me parece o mundo, sempre que da simplicidade dos teus disparatados relatos existenciais subtraio a complexidade de uma alma perdida, temerosa quiçá, consciente das limitações inerentes à mágoa que nunca foi superada, ou ao vazio jamais preenchido que teimosamente procuras esconder, como se fosse possível... E logo de mim?

Soaram mais de mil vezes, os sinos da decadência que teimosamente chamaram por mim, como se eu fosse, algum dia... Como se fosse possível arrancar dos meus pés, as toneladas de esperança que jamais me conseguiram roubar, e que me mantiveram preso ao chão mesmo quando as piores tempestades atingiram os alicerces da minha existência...

E o único desejo que me resta, é o de ser capaz de te impedir de cair no vazio de uma esperança inatingível, para que de uma vez por todas, acredites que nem só de preto e branco se vestem os sonhos...

Wishing you still don't wanna go tomorrow... And all the "tomorrows" still to come till the end of existence...

'74 '75




Grande sucesso de rádio, que ouvia quase diariamente durante a viagem que fazia de casa até à escola, durante todo o primeiro período do meu 5º ano... E como o tempo passa, meus amigos, parece que ainda ontem ouvi isto pela primeira vez. Nostalgia...

If Only She Could...

(Imagem: Link)



Ela chegou e quis embalá-lo com os seus relatos serenos, acerca de um futuro utópico numa espécie de realidade alternativa, onde todos os medos do homem não passavam de contos perdidos em livros de ficção que já ninguém lia.

Era uma melodia demasiado perfeita, para aquilo a que os seus maltratados sentidos estavam habituados...

E como brilhavam os olhos daquela mulher... Crente numa entidade superior que considerava benfeitora, a pontos de lhe permitir voar.
Ignorava a crueldade dos homens, e a perpétua ausência de amor nos corações daqueles que arruinavam as sociedades um pouco por todo o lado, tal não era para si mais do que uma insignificante amostra de produto estragado, que passara de validade. Como se fosse possível comparar o bicho homem a um qualquer condimento para um cozinhado... Como se as consequências da sua "ingestão" fossem de gravidade comparável a uma simples indigestão...

Teimava em fechar os olhos, sempre que ao sintonizar num canal de notícias um qualquer televisor, mais uma chacina era apresentada em todo o seu cruel esplendor, sem direito sequer, à bolinha vermelha, ao parental advisory, à tradicional censura a que o povo tão mal se habituou, ao longo do tempo...
Dizia ela, acreditar "que as coisas haveriam de melhorar no futuro, quando o ser humano tomasse consciência da beleza que existe no processo único que é viver".

Ela acreditava ser possível desenhar futuros, na terra onde todos os sonhos morreram... Queria descortinar vida no reino dos mortos, e por mais que se esforçasse, ele era impotente perante tamanha firmeza de ideias, perante a magnitude da beneficência de um coração demasiado puro e virgem para conseguir sobreviver à selva que é o mundo em que vivemos, e particularmente, ao tal bicho homem, esse predador implacável que jamais olhará a meios, para atingir fins.


She's just a dreamer, she dreams her life away... She's just a dreamer, who dreams of better days...

O Ultimo Recadinho

(Imagem: Link)



A melhor forma de acabar a noite? Percebendo duas coisas fundamentais: que ainda é possível ter conversas tremendamente agradáveis com pessoas especiais, online, através de programas de instant messaging; que os insultos baratos e infundados, provenientes de pessoas fúteis e vulgares, precisamente oriundas do mesmo universo (mas de categoria intelectual/humana tremendamente inferior), já não nos afectam.

É verdade! Finalmente evoluí... Não é irónico? No final, será dos humildes que rezará a história, meus amigos.

No final, prevalecerão os silêncios sobre as bocas cheias de clichés inúteis. Triunfará o senso comum, sobre as pseudo-realidades ancoradas em alicerces de areia virtual, prevalecerá sempre, mas sempre, a astúcia dos vividos sobre a inocência dos que insanas maldades jamais conheceram...

... E foi esta a lacuna que preencheste, rainha dos loucos: forneceste-me o escudo de protecção final que me faltava, o ultimo ponto do meu colete anti-balas até agora desguarnecido pela minha inabalável fé na possibilidade de endireitar até o mais resistente dos que nasceram tortos. És a prova viva de que nem eu, nem ninguém, consegue remar contra uma maré enfurecida pelas vicissitudes de uma vida em rota de colisão com o mundo real...

Feliz de mim, que sou "um miúdo que nada sabe da vida".
Porque a saber o que tu julgas que sabes, minha querida... Preferia mil vezes estar morto, ou melhor, nem sequer ter nascido.

E como detesto bater em ceguinhos... Assim me despeço, até uma próxima, que no teu caso, é nunca mais. ;)

(NOT TO BE CONTINUED a.k.a. "THE END")

Have You Ever Seen The Rain?


Já... E tanta que, por este andar, irei mudar de cidade, de país, e de planeta! P*t*a que par** lá a chuva e mais quem a aumentou!

Contrastes

(Imagem: Link)



Insiste em não abandonar a minha face, aquele sorriso que tão depressa ilumina uma vida, como de um instante para o outro, provoca a ruína do mundo de alguém.
Serei porventura, o ultimo resistente da velha guarda dos pseudo-loucos que um dia nasceram para governar o mundo, mas mais não conseguiram senão auto-destruir-se, antes sequer de verem a luz do dia de um amanhã que nunca chegou.

O ultimo espécimen, de uma geração de contrastantes, de visionários deslocados no tempo e no espaço, que nasceram antes, ou muito depois, da verdadeira época em que desejariam ter vivido. Das personalidades incompreendidas, díspares e difusas, das pseudo-inteligências bíblicas que jamais puderam ser úteis à sociedade, pois bem vistas as coisas, todos os recursos na sua criação foram direccionados de uma forma tão errada, que os limitaram, de uma forma inexplicável. Como o escritor que não tem mãos, caneta, tinta, papel, ou voz para gritar a uma qualquer máquina, tudo aquilo que deseja dizer ao mundo, ao mesmo mundo que o rejeita por ser diferente, ainda que especial, ainda que único, ainda que...

Não deixarei contudo, que me reduzam a cinzas, sem antes ter provado a todos os que anunciaram a minha morte, que estou suficientemente vivo para contrariar todas as probabilidades. Suficientemente forte para derrubar os muros que me ergueram à frente, para esmurrar a face dos que troçaram de mim sem razão alguma, para me erguer da cova que teimaram em cavar por mim, sem se aperceberem que eu apenas lhes dei quarenta e cinco minutos de avanço, num jogo que sempre controlei, apesar das goleadas a que estive sujeito.

Porquê?

Contrastes, meus amigos. Não fosse eu feito de contrastes, e detestaria ser "do contra"... Mas adora, esta alma renegada que naufragou no cabo das tormentas, e jamais perdeu a esperança de aprender a nadar. Jamais...

You can stand me up at the gates of hell... But I won't back down. No, I won't back down!

Até breve.

Hetero-Avaliação

(Imagem: Link)


Fosse eu poeta, e escrever-vos-ia tanto sobre tantos assuntos, que daríeis por vós enjoados, assolados por reflexos de regurgitação mais frequentes ainda, que as vezes que vos bombardeio com devaneios acerca de tudo e nada: as vicissitudes de vidas desfeitas, tristezas e deprimências, estereótipos de comportamentos depressivos, e mortes. Mortes, mortes, morte...

Não sou.

Assim, sou apenas: o ilusionista, o inventor de estados de espírito, o inconstante, difuso e disperso, contador de estórias. Ou pelo menos, assim me achais, vós que me ledes há tanto tempo, há tempo demais. Vós que nem sequer me conheceis, julgais-me assim, provavelmente. Digam-me, se estou longe da verdade. Façam o favor de se manifestar, o Gravepisser atravessa por estes dias uma espécie de crise existencial-virtual, que em ultima análise, e a não descortinar rapidamente o motivo/solução para este seu estado semi-catatónico-criativo, poderá significar a sua retirada, temporária ou permanente, do cada vez mais complexo mundo da blogosfera.

E assim vos deixo, por agora, apelando ao vosso sentido crítico - socorrei-vos de qualquer um dos meios de contacto que tendes ao vosso dispor, e dizei-me de vossa justiça. Se para tal necessitardes de uma qualquer droga, com a finalidade de "soltar palavras", descansai: é só deixardes-vos levar, pela simplicidade profunda de um som primitivo-contemporâneo, esse mesmo que encontrais aí em baixo, e que para vossa maior comodidade, tive o cuidado de deixar em autoplay.

Obrigado.