(Can't Find a) Better Man...



Sem qualquer espécie de conotação, de género algum. Apenas e só, porque a melancolia não é a única desculpa plausível para justificar estas coisas.

...I wake up, it's a bad dream
No one on my side
I was fighting
But I just feel too tired to be fighting
Guess I'm not the fighting kind...

Mater Lacrimarum


Apenas os grunhidos do senhor Filth beliscam esta grande malha. Mas não o suficiente para eu deixar de a colocar aqui. Nice one...

Buried Souls...

(Insanity, by liquidkid1, deviantart.com)



"Pareces louco, sabes? Pareces mesmo, as atitudes que tens não parecem tuas. Como explicas isso?"

Têm razão. Mas, ao contrário do que seria previsível, eu não tenho uma justificação válida para uma questão desta natureza. Ainda que haja "na loucura um prazer que só os loucos conhecem", não significa que não se esteja, pelo simples facto de desconhecer esse dito "prazer".

Dou por mim vagueante, demasiado cansado para contornar os mais básicos obstáculos que surgem na vida, por mais ridículos que pareçam. Sorrio, pois claro, afinal é isso que esperam de mim. É essa a única forma possível de se estar, afinal, a minha vida é perfeita, por que motivos estaria descontente? (Mal eles sabem, meus amigos... Mal eles sabem.)

E depois é isto, tudo o que me resta. Repetir-me vezes sem conta, gastar palavras, enterrar emoções o mais fundo que consiga. Sei apenas, que já não sinto. Já nem sequer me recordo de quem fui em tempos... Gradualmente, tudo vai deixando de fazer sentido. As acções, as palavras... Até a escrita, e este blog...

Estarei vivo? ...

"Correct me if I'm wrong, but hasn't the fine line between sanity and madness gotten finer?" (George Price) ...

Pontapés, Pontapés...

(Circle, by katewphotography, deviantart.com)


Dêem-me. As balas, os cacos e o Sol. Posso não vos fazer uma omeleta, com esses ovos que me dais, mas uma coisa vos garanto: não vos ireis rir de mim por isso. Ofuscar-vos-ei de tal forma esses olhos indignos, que perdereis tudo: o tacto que vos permitiria colocar a bala no tambor, rodando-o até à posição correcta; o discernimento, para que jamais consigais optar de novo, entre o verdejar dos novos dias e a podridão habitual dos que já passaram; e a dignidade: para que percebais por fim, que as pedras que um dia me atirastes, só ganham força com o tempo, afinal são boomerangs!

A mim, ninguém me cala. E eu vos juro, leitores: não me chamo Manuel Alegre.
Chamem-me o que quiserem, mas não me apelidem. Dispenso cognomes, não sou rei de ninguém, e é aí que mora a ironia-mor. Ainda que cuspais desses laivos, num sentido figurado obviamente, eu sou, apenas, um mero mortal.

Podeis dizer e achar o que quiserdes. Só não podeis mudar-me, por mais que o tenteis. E se disso tentardes fazer objectivo, uma vez mais vos replico: contai comigo para vos puxar atrás a culatra, quando finalmente perceberdes que o que vos digo é, apenas e só, autêntico...

E nada neste espaço acontece por acaso, meus amigos... Esmiuçai cada frase até ao mais ínfimo pormenor, e mesmo assim, estareis longe... Muito longe de definir o que quer que seja, quanto mais um padrão! Quanto mais, catalogar-me... Eu que sou um orgulhoso desconhecedor da localização dessa biblioteca que apenas contem as páginas com pontas dobradas dos livros...

Far away... So far away... ... ...

Suicide Is Painless


The sword of time will pierce our skins, It doesn't hurt when it begins... But as it works its way on in, The pain grows stronger... watch it grin, but... (Suicide is painless)...

(Your) New Born



Levanta-te! Desse teu efémero leito de agonia, ergue-te e seca as lágrimas, que correram sem que as origens da sua causa algum dia o tenham merecido.
Etapas negras foram e são, mais que muitas. Quem me dera, ter o poder de as pintar de branco. Quem me dera, ser igual a ti, na soma de tudo aquilo que te faz grandiosa, senão aos olhos do mundo, aos meus, pelo menos.
Quem me dera, que da subtracção de tudo o que me apaga, fosse capaz de se acender a luz eterna da paz do teu espírito...

Ah... Quem me dera saber. Mas não sei nada. Só sei o que sinto, pelo menos em relação a ti, única pessoa que eu sempre tive ao meu lado durante toda a minha conturbada existência.
Só sei, que ainda não vai ser desta que te vais abaixo, porque a grandeza da alma é sempre superior a tudo, resiste inclusivé, à debilidade física, à dor da ausência de quase tudo...

Parcas palavras do coração doente que por estes dias tem um duro teste. Resistente, também ele, haverá de bater por ti até à sua derradeira contracção, aconteça o que acontecer. É a única certeza que te posso dar... A única.

Clueless...?




Poderia ser esta a forma mais perfeita de me despedir de todos vós, que aqui me sentis neste espaço cada vez mais desprovido de qualquer sentido que possais ter-lhe atribuido ao longo dos tempos.

Já foi tanta coisa, este blog. Montra de afectos e desafectos, essencialmente... Chorastes e ristes vezes sem conta, enquanto verificastes com os vossos próprios olhos a imprevisibilidade, a insanidade crescente deste seu autor. Não seria por isso de estranhar, que para último suspiro tivesse escolhido tamanha perfeição audiovisual, para vos deleitar a alma como quase sempre tentei fazer aqui, ainda que a maioria destes textos, imagens e vídeos não passem de meros desabafos, chamemos-lhe, de simples gritos de raiva, desespero e em tempos, de alegria, ainda que extemporânea e efémera (como sempre).

Descansem, contudo, os pouquíssimos corações que ainda reservam para mim parte do seu espaço, de uma forma ou de outra. Não será assim que vos livrareis de mim... Mas que este vídeo me arrasou por completo, é inegável... E eu que tanto me tenho esforçado para deixar de ser o tal "emo" que as pessoas odeiam, desta vez não pude evitar. Espero que compreendam e me perdoem, uma vez mais, a sinceridade, quiçá insensatez ao expor uma vez mais perante vós a real fragilidade do meu ser...

Step By Step, Till The End

(decay, by mysticalpotatohead, deviantart.com)



Tão cruéis, essas facas que tendes, essas que me matam lentamente sem que eu sinta, sequer, a picada.

Já não sei defender-me. Não quando me destruístes todos os escudos que restavam. Fostes vós, que provavelmente nem me ledes, os culpados de quase tudo. E eu definho. Limito-me a definhar nesta miserável terra de ninguém. Mais não faço que deixar correr o sangue, de punhos bem fechados e dentes bem cerrados. Podeis chamar covarde ao homem que se deixa derrotar? Mesmo que o inimigo seja invisível?

E às pequenas coisas que vão atenuando, ou adiando o inevitável, perco-lhes o rasto mais depressa que um faminto devora um naco de pão.

A vontade é conhecida há demasiado tempo… Tem faltado a coragem, somente a coragem.

Não vejais isto como um pedido de auxílio… É apenas mais um desabafo, do homem que já nem para gritar tem forças… Do ser humano que perdeu, definitivamente, a noção do que é sê-lo, na maioria dos mais elementares sentidos que possais atribuir à expressão…


Oh, spread your wings, there is more than this darkness... Open your eyes, the horizon has no end. You can see forever, you can know all time, you can live forever...

Paz, Poeta e Pombas


A Paz viajou em busca da silêncio

Sitiou Berlim
Abdicou em Londres
A Paz saltou dos olhos do poeta
Atacada de psicose maníaco-depressiva

Foi nessa altura que as pombas
Solicitaram nas agências as tarifas
Mas não viram mais o poeta
Que gozava na Suiça
Duma licença graciosa

A Paz saiu aos saltos para a rua
Comeu mostarda
Bebeu sangria
A Paz sentou-se em cima duma grua
Atacada de astenia

Foi nessa altura que as pombas
Solicitaram nas agências as tarifas
Mas não viram mais o poeta
Que gozava na Suiça
Duma licença graciosa*


*Poema/canção (quase absurda, de tão excelente) do mais genial de todos os compositores/intérpretes que este país já conheceu, o saudoso José Afonso. Para variar um pouco...

Decomposição

(rotten wood, by sonny89, deviantart.com)



Estalarão as bombas, nas intrépidas (porém moribundas) terras de ninguém. Dos estilhaços voarão limalhas de cetim queimado, outrora belo e resplandecente, que se lhes cravarão nos cérebros como que das mais impiedosas balas se tratassem.
É dia das bruxas, pensa. Nada do que possa fazer deve ser levado a sério.

No mais pérfido negrume instalado entre os seus pés e a terra que teimava pisar, já não se via vida. Já nem as ervas daninhas ousavam nascer ali, elas que até se propagam no meio da podridão dos mais desprezíveis despojos de tudo o que um dia foi vivo. Já nem elas se ambientavam, perante aquela espécie de nada em forma de existência patética que teimava em deixar-se estar, que teimava em ir estando sem que ela própria percebesse o porquê de tal atitude.

O corpo há-de ceder um dia, é certo. Quando a pancada for suficientemente forte para partir, quando a lâmina estiver suficientemente afiada para rasgar a carne, ou quando o interminável abismo que viu nos tais sonhos deixar de ser, apenas, um pesadelo... Porque todos os processos têm um fim, aquele que iniciou há mais de dois anos e contempla tão somente a auto-destruição, não será excepção.

A máquina foi programada, e o software original foi destruido antes que alguém conseguisse obter a sua cópia, ou sequer ter tido oportunidade para o crackear. Ao contrário do que acontece nos filmes, esta bomba não pode ser desactivada... Simplesmente, porque o seu núcleo é demasiado complexo para que alguém consiga, pelo menos, aproximar-se da solução para a tragédia inevitável, prevista aquando da sua criação...


All emotion is consumed by an inner silence, All grief is unassuaged by disconsulate tears. I want for nothing, I live for nothing, I am waiting to die but I am afraid of dying...

Empty



Empty vessel under the sun wipe the dust
from my face another morning black Sunday
coming down again.. coming down again
Empty vessel empty veins
empty bottle wish for rain that pain again
wash the blood off my face the pulse from my brain
And I feel that pain again

I'm looking over my shoulder cause millions
will whisper I'm killing myself again
Maybe I'm dying faster but nothing ever last I
remember a night from my past when I was
stabbed in the back and its all coming back
And I feel that pain again

I abhor you I condemn you cause this pain
will never end you got away without a
scratch and now you're walking on a lucky
path I have to laugh but you'd better watch
your back

there's pathetic opposition they're the
cause of my condition I'll be coming back
for them I've a solution for this sad
situation nothing left but to kill myself again
Because I'm so empty...

Memorial - Part II

(Gloomy, by RaziMysteria, deviantart.com)



Memórias haverão de consumir-nos para sempre. No seu vortex inescapável e inconfundível pelo cheiro azedo às mortes que por lá pairam, pela podridão das almas perdidas que jamais alcançarão a utópica paz.

Vagabundos, na soma de todos os nadas. Já não somos capazes de respirar, de tão envenenada que se encontra a atmosfera dos nossos inexequíveis sonhos de infância.
Haverá um dia em que das eternas feridas mais não correrá que as sangrentas lágrimas das vossas lamentações, ainda que, a bem dizer, vos frise de novo: vós não tendes culpa de nada. Talvez apenas, do facto de nunca me terdes dado ouvidos, de jamais terdes dado importância às palavras duras que vos dirigia acerca das coisas. Porque eu era uma criança, verdade? Como é que as crianças podem ter algum dia a noção do que dizem? Não podem…

É tarde demais… Demasiado tarde para acreditar que ainda é cedo. Estou já demasiado velho para crer noutra coisa que não nas insignificâncias de todos as definições que algum dia me possais atribuir. Tentais adivinhar-me e de mim mais não apreendeis que o mais ridículo dos óbvios. Achais-vos contudo merecedores da minha compreensão… Estando eu certo que de mim mais não podereis obter senão a eterna ausência dos que, presentes, estão mais distantes que os pólos da terra.

Peço-vos por isto, por tudo e por nada: não volteis a fitar-me com o olhar penoso de quem observa os últimos passos de um condenado. Se há coisa de que me poderei orgulhar no dia em que deste mundo levantar os pés, é do facto de apenas ter dançado ao som da minha própria música… Ainda que não possa ser atribuída apenas a mim a totalidade da composição de um requiem que ouvireis indubitavelmente, no dia em que eu assim decidir.

Se ao menos me tivesses dado importância… Criança maldita que caminha morta entre os vivos…

…Cruel be the wind as it quells my words… I shout out to the rain…

Faded Mournings

(the bird watcher, by gilad, deviantart.com)



Venham de lá essas lágrimas, meu velho… Das entranhas desse corpo enferrujado pela insuportável dureza dos anos sofridos em vez de vividos. Ou da impureza desse olhar vítreo, pleno de todos os vazios a que te sujeitaste, a que te sujeitaram durante essa tua longa e infrutífera jornada.

Do vazio desses passos lentos, ziguezagueantes pela inclemência do álcool que vai consumindo a pouca vida que te resta, venha de lá esse abraço. Choras-me no ombro e que consolo te posso eu dar, se da grande diferença de idades não pode ser subtraída a maior das vontades?
Acabas-te nesse último copo do mais carrascão dos vinhos, espelho da mais irónica das verdades, ou da inegável opacidade de toda e qualquer janela de esperança que pudesse restar-te… Eu disse esperança? Não te rias… Eu sei que foi só tua esta opção. Mas tenho o direito de cravar na mesa o punho da revolta, quando os vejo cuspir-te em cima ao invés de ajudar-te a levantar, quando os vejo rir à tua custa, senhores de uma certeza nauseante: a de que jamais acabarão como tu.

Chegaste finalmente ao término da tua caminhada. Colocas sobre a minha a tua mão cansada, e sussurras-me ao ouvido um trémulo “está tudo bem” enquanto sorris pela última vez. Observo nos teus olhos o insuportável arrependimento pela forma como fizeste da vida o mais negro dos festins de horrores. E o medo… Tu que sempre foras corajoso pereceste ante mim como se de uma criança amedrontada pela escuridão do seu quarto, à noite, te tratasses…


Nem a chuva que se mistura com a terra que cai sob o teu caixão de madeira negra consegue limpar as lágrimas deste teu último amigo... Ou será melhor dito “único amigo”?

Conheci-te hoje e já me morreste… Venham de lá essas lágrimas, meu velho.

My Apocalypse



Sudden implosion of silenced emotions
Buried beneath a scarred heart for too long
Delusions of hope fading away
Dying like leaves on frozen soil


My apocalypse is near
I can feel the end... Coming here

Neglecting existence, repulse and repent
An endless journey into the morbid
Whispering voices distorting all senses
Buried beneath a scattered heart for all too long

My apocalypse is near
I can feel the end... Coming here

The bitter taste of a dying dream
Shine the light on our shadows and illusions...

Sem...

São fases, são fases.
Parto-me como se de vidro fosse feito e vós nem sequer vos apercebeis... Um amontoado de cacos arrasta-se perante vós, e nem sequer tentais repará-lo? "porque vós amais o que é fácil"... e eu já não amo ninguém.

Podíeis ao menos agarrar na vassoura e colocá-los no lixo... Afinal, os cacos não têm vida.


(imagem: kite flying days, by radiantflux, deviantart.com)

Memorial - Part I

(sadness, by sukub sonja, deviantart.com)



Faltou-me tudo.
De que me servem os vossos braços sobre os meus ombros, se em breve em pó eles estarão transformados?
É desse pó que se entranha nos meus pulmões que tenho vivido, afinal já vos abandonei há tanto tempo... Tanto que nem vos apercebestes, não sabíeis que eu me estava a ir, ao sabor do vento e das palavras que nunca foram ditas...
Na verdade, nunca fiz muito para que vos apercebesses desta realidade tão minha como de todos os que me lêem e tomam como suas também estas palavras...
A culpa não existe neste caso, não é de ninguém. Suponho que seja genética, esta certidão de óbito que passamos a nós próprios, a determinada altura. É impossível, por mais que tentemos, acordar do pesadelo em que sempre nos vimos envoltos, desde sempre, desde que temos consciência de sermos nós... Ou será que não somos nós?
Penso nisso muitas vezes, se serei eu que vivo assim aprisionado dentro da minha própria mente...
Chamar-me-ão louco, certamente. Mas... Quem sois vós para julgar a minha loucura? Não sereis também vós insanos, quando vos contentais com a insalubre mediocridade das vossas "vidas"?

Estou cansado... Sinto que o meu tempo está a chegar ao fim sem que nada nem ninguém o possa impedir... E choro por vós, que sem culpa vos culpais do inculpável... Queria que me entendesses uma vez só. E que fosses felizes, como eu nunca fui nem serei, quanto mais não fosse, "para dar o exemplo"...


I've been searching, for my wings some time... I'm gonna be born, Into soon the sky...

Nessun Dorma


Ninguém deve dormir... É a tradução aproximada daquela que foi, a meu ver, a maior de todas as interpretações por parte deste grande senhor, que hoje adormeceu para sempre e deixou nos corações de todos aqueles que amam a arte, qualquer que seja a sua forma, um lugar que jamais será preenchido de novo...
Calou-se a maior de todas as vozes, a do filho pobre de um padeiro que apesar de ter feito fortuna com a sua voz jamais esqueceu os necessitados... É a esse grande ser humano que dedico esta pequena homenagem, ciente da incompreensão que ela possa ter junto da maioria das pessoas que possam lê-la. Não é, contudo, a elas que se dirige este texto.

Descansa em paz, Luciano Pavarotti...

Is It Gonna Last?


A capacidade que este senhor tem, dizer tudo o que sinto sempre que sinto, da forma que eu diria se tal como ele fosse genial, seja qual for o projecto musical, assusta-me... Poderia divagar sobre todos e quaisquer significados possíveis e imagináveis para esta música, mas não me apetece. Quem a sentir como eu tê-los-à dentro de si, sem papel, tinta ou qualquer outro apêndice inútil...

Even... More?

(Unwithered, by Winterregen, deviantart.com)



Como se fosse um mero naco de carne vezes sem conta cortado, martelado, temperado e retemperado antes de ao refogado final ser lançado. A panela estava quente, sabia-o. Trucidava-lhe o cérebro, qual pastilha mastigada, a ideia de que afinal viver nunca haveria de passar de uma mera e utópica ilusão.

Enxames de mentiras descabidas, disparadas ao vento (ainda sereno), como que de palas para os olhos cegos pela verdade dos factos se tratassem. "Não podes fazê-lo!" ... Ansiava pelo momento em que iria por fim ser capaz de gritar-lho, a plenos pulmões, seguro de que a sua condição actual não seria mais sustentável pela infâmia, pela sem-vergonhice de quem outrora se dizia rei de todo o bem, da suprema, absoluta e descomprometida VERDADE.

Não passava de um zé-ninguém, sabia-o... Mais um falhado no meio de tantos outros que nunca são notícia por motivo algum. Mas era, acima de tudo, verdadeiro. E assim haveria de morrer, nem que fosse para provar a quem um dia o tentou iludir, convencendo-o que a mentira supera a verdade a qualquer custo, que quem estava errado não era, de todo, ele...


I'm lying on a stretcher, they're lyring to my face... There's no-one left to help me, I'm just a waste of space...

My Ashes


All the things that I needed
And wasted my chances
I have found myself wanting

When my mother and father
Gave me their problems
I accepted them all

Nothing ever expected
I was rejected
But I came back for more

And my ashes drift beneath the silver sky
Where a boy rides on a bike but never smiles
And my ashes fall over all the things we said
On a box of photographs under the bed

I will stay in my own world
Under the covers
I will feel safe inside

A kiss that will burn me
And cure me of dreaming
I was always returning

And my ashes find a way beyond the fog
And return to save the child that I forgot

And my ashes fade among the things unseen
And a dream plays in reverse on piano keys

And my ashes drop upon a park in Wales
Never-ending clouds of rain, and distant sails...*


*(Steven Wilson/Richard Barbieri, My Ashes, 2007)

Unsound Wombs

(ruins ii, by nareia, deviantart.com)


Como que uma corrida desenfreada, encetada por alguém com fome em busca de um naco de pão - passavam aqueles dias quentes, sequiosos, todos iguais, iguais ao que sempre foram desde que se havia ido.

Queimava-lhe a pele quase tanto como a alma, a pontos de a sentir estalar, aquele insuportável sol que teimava em cegá-lo como que castigando-o pela sua própria incapacidade de se proteger, contra todas as radiações nocivas que à vida lhe chegavam insistentes, quase nauseabundas.
Era um castigo brando, ainda assim. Se da incapacidade de discernir entre os que por bem vinham e aqueles que só o sangue lhe pretendiam sugar, nenhum outro mal surgisse, considerar-se-ia "o homem mais afortunado do mundo".

Mas não...

Nem colocando-se à sombra deixava de se sentir queimado... E só então percebeu que afinal, não era do sol que devia proteger-se, pois não era ele de todo responsável pela intensa dor que sentia.
Seriam, então, outros astros... Estes, bem mundanos, racionais e responsáveis pelos seus actos. Era a mentira descarada, constante e persistente. Era o sinismo, e a inqualificável "cara de pau" da parte de quem nunca o fora até então.

Pela primeira vez na história, alguém que sempre odiou essa tal igreja e todos os seus desígnios e pregões, conseguia enumerar, um atrás do outro, "pecados mortais"! Via-se obrigado a concordar que aqueles que estavam a ser cometidos, não em ofensa a um deus, mas sim a algo infinitamente superior, conduziriam na certa, à destruição total dos fraquíssimos alicerces que restavam, de uma construção que deveria ter sido abortada antes sequer de passar ao projecto.

Uma das partes envolvidas estaria, decerto, atacada por uma insanidade quase psicótica, pois era essa a única explicação plausível para o que estava a acontecer. E a única dúvida que lhe restava, no meio de tudo aquilo, era simples: qual delas seria? ...


I don't know whose side I'm on... I don't think that I belong round here. If I left the stage, would that be wrong?

Cimento

(doggy jail, by foonji, deviantart.com)



Suave e tão frágil à partida, tão dura e fria como sempre, no final, no fim de tudo.
Como a explosão dos sonhos que só mata por dentro, a queda imaginária mais não era que o final constatar da mais única e indelével das vontades: a de não ter, mais, vontade.

Ao volante da sua imaginação, acompanhado apenas pelos destroços dos tais sonhos que um dia quase foram reais, deixava-se levar ao sabor dos tempestuosos ventos da mudança impingida, pensando, de novo, se era assim que pensava acabar(se), quando um dia pensou que aqueles pesadelos não podiam ser, de todo, o motivo maior das tumultuosas noites que outrora o conduziram às portas da insanidade.

E a morte (a tal que tudo encerra, todas as portas, até aquelas que nunca se abriram), era tão ou mais expectável que o mágico keymaker, que jamais aparecera durante toda aquela inexistência...

Ocean Land


A propósito da recente passagem destes senhores pelo nosso país, espectáculo o qual, para meu grande infortúnio, me foi impossível assistir.

Not Beautiful Anymore

(Ghent, by Vienneke, deviantart.com)



Eram longas planícies relvadas, envoltas nas densas brumas características daquele inóspito, para ele bucólico, lugar. Eram tambores, que lhe aguçavam a alma melhor que os sonhos. Sonhos... Que o haviam conduzido a lugar algum, vez nenhuma em tão poucos (tantos!) anos de contínuos movimentos de contracção e dilatação do tal que é responsável pela terrena existência.

A fogueira das vaidades? Perpétua dança de mentiras e falsos sentimentos (sentidos). Que não sentia mais...
Limitava-se agora, a vê-los passar. Quais comboios desgovernados... A vê-los ir em direcção ao fim de uma linha outrora direita, por hora mais sinuosa que as curvas dos cíclicos círculos que pautavam as suas vidas - não chegariam, porém, ao ponto de partida novamente - pois até as leis da física podem ser contornadas quando o supremo prazer se sobrepõe à habitual, quiçá letal, ausência de tudo.


Que descansem os sobressaltados espíritos do costume. Isto não passará nunca de um delírio de alguém que não sabe, não entende, e não "é". Sê-lo-à, ainda que o queirais esmiuçar, vezes sem conta, até que das palavras sem sentido encontreis o significado que melhor vos convir.
Em vão, em vão... Não percais tempo, amigos meus. Jamais o ireis conseguir.


Taste the water from a stream of running death... Eat the apple and cough a dying breath...

Blackest Eyes

... I got wiring loose inside my head
I got books that I never ever read
I got secrets in my garden shed
I got a scar where all my urges bled
I got people underneath my bed
I got a place where all my dreams are dead
Swim with me into your blackest eyes...*
*Porcupine Tree, Blackest Eyes (2002) (Excerto)

The Hell Where They Want Me

(F.E.A.R., by EmperorSuprra, deviantart.com)


Sick of my life. I'm tired of everything in my life!


Mais parece um disco riscado, eu sei. Ou então, aquelas psicoses típicas das adolescentes, que perdidas dentro daqueles corpos e mentes (à conta das hormonas descontroladas) não conseguem evitar ataques de histerismo por todo e qualquer motivo, absurdo para o comum dos mortais.

Mas não é disto que se trata neste caso, amigos meus... (a quem me dirijo vezes sem conta na esperança que me entendais, ainda que consciente de que quase sempre é o vazio quem me responde por vós).
Neste caso, como sempre e como nunca, é sede. Do sabor calmante da tranquilidade que só a paz de espírito pode atrair... E é raiva, e medo, e angústia pela incerteza, pela indefinição que o rumo de certas vidas paralelas acarreta... Como se alguém estivesse a escrever o MEU requiem, com o alinhamento que EU não autorizei, com as notas trocadas da forma que EU não quero ouvir tocar no dia em que por mim chorarem...

Dragged down, rubbing my face in the ground... No time for the undecided, I wanna know why I've always felt alone!

Só uma palavra mais, para aqueles que, como eu, tinham por hábito colocar online pedaços das suas mais incompreensíveis solidões, e que por motivos vários deixaram de o fazer: "Quem escreve constrói um castelo, e que lê passa a habitá-lo"... E não é destruindo esse castelo que os seus "moradores" se esquecerão dos bons momentos que nele viveram...

Paralyzed. Nothing's getting through to me... Hypnotized from all my surroundings.

Quem Me Leva Os Meus Fantasmas?


Aquele era o tempo

Em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam,
Eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acesos.
Marinheiros perdidos em portos distantes,
Em bares escondidos,
Em sonhos gigantes.
E a cidade vazia,
Da cor do asfalto,
E alguém me pedia que cantasse mais alto.

Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

Aquele era o tempo
Em que as sombras se abriam,
Em que homens negavam
O que outros erguiam.
E eu bebia da vida em goles pequenos,
Tropeçava no riso, abraçava venenos.
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala
Nem a falha no muro.
E alguém me gritava
Com voz de profeta
Que o caminho se faz
Entre o alvo e a seta.

Quem leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?

Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?*



*Pedro Abrunhosa, Quem Me Leva Os Meus Fantasmas

Broken Glass

(Secrets, by lorenzom21, deviantart.com)



Por que misteriosos caminhos poderá alguém (em que aprendemos a confiar desde sempre) deambular, antes que nos apercebamos do que se passa verdadeiramente? Durante quanto tempo se pode encobrir uma mentira, antes que as consequências da mesma expludam bem no meio do círculo, devastando tudo o que previamente havia sido (re)construído?

Eram essas duas interrogações que lhe assolavam a paz de espírito (que já merecia, diga-se de passagem). Como se os seus problemas não bastassem, como se eles não fossem suficientes para transformar cada segundo da sua existência no tormento incomportável que continuava a ser...

E se nas suas mãos não residiam soluções para todos os males, que poderia ele fazer para aliviar a si próprio tamanha carga em cima dos ombros? Não podia simplesmente esquivar-se, fingindo hipocritamente que nada se passava e tudo estava bem, quando na realidade, nada estava...
Era um mero pião, nas mãos de quem nem sequer supunha que o seu maior segredo estava a ser, assim, a causa maior do lento definhar daquele indivíduo que por lá se arrastava dia após dia, quando nem sequer havia pedido para nascer...


... teardrop on the fire, feathers on my breath...

Sem Título

(the end, by zzubevol, deviantart.com)



A tortura da incerteza. O não poder confiar em mais ninguém, quando disso necessitava mais do que de pão para a boca. Os punhais, cravados nas costas.

É disto que eu vivo, meus amigos... É nisto que me vou afogando.
E hoje até vos falo em discurso directo, mais indiferente que nunca ao que de mim possais pensar. É como uma faca de dois gumes, este "ofício" da escrita... Alivia, espremer a alma neste espaço negro - saber que como nós existem outros, também eles vagueando em busca de algo que não podem obter, em busca do remédio capaz de curar a ferida que nenhum outro conseguiu... Sabe melhor que o abraço daqueles que (hipocritamente) dizem compreender o que sentimos... Hipocrisia ou falsa solidariedade, a única dúvida reside no termo aplicável - ninguém me convencerá, jamais, que alguém que assim não (se) sinta possa entender, ou sequer imaginar, o que se passa cá dentro...

Por outro lado, a certeza de que a sanidade há muito partiu, quando da vida mais não se espera senão o seu próprio fim... E digo-o, com a certeza de quem sobre ele (o fim) vem reflectindo, desde o dia em que lhe perguntaram se, de facto, alguma vez o tinha realmente feito...
É o reverso de uma medalha que eu, mais que nunca, desejava que ninguém me tivesse oferecido...

Pyre Of Gods




E porque não são necessários motivos especiais para apreciar um bom som, aproveitem este. A música chama-se Pyre Of Gods, e é dos Tarot, banda de metal finlandesa liderada por Marco Hietala, também ele baixista dos Nightwish.
Enjoy...

Tempestades

(peace within the emptiness, by chix0r, deviantart.com)



Acordava e dava por si perdido num espaço que era cada vez menos o seu, rodeado de pessoas de quem cada vez desconfiava mais. Inválido, num sentido figurado, era assim um insecto a quem haviam cortado as asas há tempo suficiente para já ter percebido que as mesmas não voltavam a crescer.

Ainda que procurasse no dia a dia o conforto e o carinho que todos os inválidos necessitam para se manterem vivos, quase todos se mostravam indisponíveis ou demasiado ocupados para lhe prestar a (in)devida atenção.

Lá se arrastava então como podia, apoiando-se nas falsas amizades que o amparavam de quando em vez, para depois o deixarem cair quando dele mais nada podiam sugar... Era um ciclo vicioso, ele sabia que continuaria a ser assim, mas estava demasiado enfraquecido para conseguir distinguir a falsidade da sinceridade. Afinal, era só um insecto... Um insecto desprezível e sem asas.


... But I'm just a pitiful anonymous...

The Undeniable Nothingness

(entrance into nothingness, by henriklj, deviantart.com)



Era como um fruto esquecido no topo de uma árvore, no local mais inacessível onde permanecia, balançando por vezes ao som dos trovões, lentamente, apodrecendo... Lentamente.
Os dias eram todos iguais, nada de novo além do tempo. O mais que fazia, era ouvir... Ouvia essencialmente o silêncio que envolvia o seu mundo. E ria, ele que nunca ouvira nada nem ninguém, via-se agora na contingência de nada mais lhe restar senão ouvir o próprio silêncio da sua exanimação.

Quando ela chegou, do alto da sua incomensurável ingenuidade, gritou-lhe: "Essa árvore está morta! Porque lá permaneces, sabendo que dela mais proveito não tirarás, senão a morte?"

Cicerone da sua própria mente desde sempre, tentou uma vez mais explicar-lhe o que era na realidade, transmitir-lhe a mais profunda essência da sua inexistência espiritual, quiçá terrena (essa mais próxima que nunca).
"Ainda que o desejasses com todas as tuas forças, certas coisas jamais mudam... E se me pedes para não morrer pelo passado, eu te suplico, que me deixes fazê-lo, pelo futuro que esse mesmo passado me impede de construir..." - Orelhas moucas, foi o que ela fez como sempre.

E se foi este o caminho que escolheu, nada mais lhe restava senão apodrecer com ele, ainda que ao contrário pudesse sempre escapar a um fim evitável, a tempo de ser feliz de outra forma...

E era essa esperança que o fazia adiar a sua queda final, pois não queria, uma vez mais, apagar do rosto de alguém que amava o sorriso que sempre o havia contagiado... Ainda que isso não fosse suficiente para impedir... o fim.

Flown Memories...

(Hand, by Bay TEK, deviantart.com)



Flashbacks
- intermitentes, como o pingar de uma torneira mal apertada numa noite gélida de inverno. Era tudo o que restava, no que a boas recordações (passadas) dizia respeito, naquele cérebro embatucado, e também ele, a espaços, intermitente.

Recordações de tempos em que a vida em si não era um fardo intransportável, de tempos em que, apesar de tudo, foi feliz. Era pelo menos essa a percepção que tinha, presentemente - de que nesses tempos passados, de uma forma ou de outra, ele conseguía de facto ultrapassar obstáculos, apreciando dia após dia, o facto de continuar vivo.

E no dia em que tudo se descontrolou, ele próprio se afastou das pessoas que poderiam ter-lhe aparado as quedas... Uma, e outra, e mais outra vez.
Fê-lo, por ter tomado consciência do facto de que ninguém é tão forte, a pontos de aguentar tais impactos, por mais que essas mesmas pessoas afirmassem o contrário. Não se sentiu capaz de tamanha crueldade para com elas, preferindo ao invés isolar-se do mundo, no seu escuro e impenetrável lugarejo.

Hoje é um monstro - reflexo e consequência das suas escolhas. E são tantas as histórias, tantas as palavras que poderia aqui colocar, dançando ante os vossos olhos...
Talvez um dia todos vós conheçais a história, deste personagem moribundo que teima em não se deixar ir - ainda que tal não feche, em definitivo, a sua presença na vida, e no pensamento, de quem um dia teve o infortúnio de com ele se ter cruzado...

A Place In The Dirt


We are damned and we are dead
all god's children to be sent
to our perfect place in the sun
and in the dirt

There's a windshield in my heart
we are bugs so smeared and scarred
and could you stop the meat from thinking
before I swallow all of it,
could you please?

Put me in the motorcade
put me in the death parade
dress me up and take me
dress me up and make me
your dying god

angels with needles
poked through our eyes
let the ugly light
of the world in
we were no longer blind
we were no longer blind

Put me in the motorcade
put me in the death parade
dress me up and take me
dress me up and make me
your dying god

Now we hold the "ugly head"
the Mary-whore is at the bed
They've cast the shadow of our perfect death
in the sun and in the dirt.*



E foi exactamente isto que me veio à memória, hoje... Vá-se lá saber porquê...


* Marilyn Manson, "A Place In The Dirt" (excerpt)

Moment Of... Eternity

(swim in the hell, by smth fresh, deviantart.com)



"Renasce das cinzas, como a Fénix...!"... É isto que ouço e leio quase todos os dias, dito ou escrito por amigos, companheiros de escrita ou simplesmente por quem partilha ou compreende uma, ou mais, formas da tal dor (inevitavelmente fatal) que consome esta mente e este corpo cada vez mais frágeis...
É meu dever agradecer a todos vocês a preocupação/esperança em mim depositada... Ainda que não possa, de todo, partilhar dessa vossa utopia, por mais que desejasse fazê-lo.
Nos tais sonhos que um dia tive (já referidos em posts anteriores), nada mais existe depois do fim... E se eu não sou ninguém para ver além do que a minha vista alcança, paralelamente, ninguém me poderá garantir que aquilo que eu vi, durante aquelas noites, é algo mais que não o prenúncio de um desfecho inevitável...

Fica ainda a promessa de regressar em força, na ínfima possibilidade de a razão estar do vosso e não do meu lado, sendo eu mesmo capaz de renascer... das cinzas...

The Final Countdown...

(Dimensions of Time, by NadavDov, deviantart.com)



É uma dor tão forte, que deixou de ser apenas espiritual... Alastrou como um vírus, e aos poucos vai consumindo também aquele corpo inerte.

A "ferrugem" vai corroendo as engrenagens, lentamente, e pouco a pouco vai ficando mais próxima, da tal máquina que tudo controla e que até então se tinha recusado a parar. Terá de o fazer um dia, pensava ele... Só não tinha prevista a possibilidade de não ser ele próprio a escolher esse mesmo dia, como havia planeado vezes sem conta... E essa perspectiva, mais do que qualquer outra, assombrava-lhe os dias e as noites, absorvendo implacavelmente os resquícios da tal sanidade que ainda tinha (por mais inacreditável que fosse, o facto de ainda restar alguma).

E assim, mergulhado no pesadelo da incerteza, passava os seus dias a pensar... Como teria sido a sua vida, se tivesse escolhido outro caminho que não aquele... E como seriam as vidas dos que lhe eram mais próximos, depois da sua partida.

E esta pessoa sou eu, meus amigos... E ao contrário do que possam pensar, isto não é só mais um devaneio desta mente tão débil. Vou mesmo morrer-vos, e quando eu já cá não estiver para vos contar histórias, espero que durante todo este tempo as minhas palavras tenham servido para alguma coisa, quanto mais não seja, para que não tenham dado por perdido o tempo que aqui passaram, a ler tais extravagâncias... ... ...

Lítio

(damned, by KarateSchnitzel, deviantart.com)


Se ele pudesse, àquele sangue tão débil misturar um qualquer composto energético que o fizesse fluir de novo, viver de novo...

Como ele gostava, de sobre quem lhe sugou a vital essência descarregar toda aquela ira! Nunca antes havia gostado da palavra vingança, porém naquele caso tratava-se quase de um crime que deveria ser punido a qualquer custo... Se nada fez para o merecer, pensava, não deveria ser o alvo da chacota daqueles que, julgando-se a fina flor da societé, mais não eram senão o que de mais sujo e obsceno esta podia oferecer. E se o desprezo é por vezes o melhor antídoto para tais venenos, naquele caso o mesmo não se aplicava - e a tal vingança, que fervilhava dentro de si com a hipótese de ser liberta a qualquer momento - apresentava-se como sendo o desfecho final da história que se arrastava à tempo demais.

Como um velho manuscrito, perdido no tempo, do qual foi rasgada propositadamente a página principal, inutilizando-o... Era assim que se sentia em relação à sua própria vida. Sentia que jamais poderia ser, de novo, completo... E a sua sina, em boa verdade, era precisamente essa: saber que tinha de prosseguir em frente, ainda que a sua vontade não fosse, de todo, tal...

Serenidade - Utopia?

(dark abide, by orangebutt, deviantart.com)



Inópia - quase inominável, aquela (sobre)vivência a que os seus mais queridos teimam em chamar "falta de vontade de mudar".

Mudar, mudar... Diz o dicionário que significa "dispor de outro modo". E eu questiono-me, amigos meus, de que outro modo é que eu hei-de dispor esta minha perpétua indisposição, como é que eu hei-de terminar o projecto que me atribuíram à partida, há vinte e tal anos atrás.
Ventos de mudança há muito que não sopram por aqui... Dos tempos em que por eles fui brindado, não restam senão mágoas e arrependimentos, pelas escolhas erradas que fiz, uma e outra vez... E se me dizem que nunca é tarde para recomeçar, eu pergunto-vos: PARA QUÊ?
Se em tantas hipóteses, nunca nenhuma aproveitei, porque seria diferente no futuro?
... Então, silêncio... Olham para mim com olhos tristes, os mesmos olhos conformados do médico que declara, impotente, a hora da morte do enfermo, depois de goradas as tentativas de o reanimar...

E eu rio, quando a vontade é chorar, e peço-lhes para se esquecerem de mim e seguírem em frente... Por mais egoísta que isso possa soar... E por mais que vos custe a acreditar, era esse o meu maior desejo... Apagar das vossas mentes a memória da minha existência, para que pudesse finalmente partir, sem remorsos, rumo à minha libertação final... ... ...

Memoirs of the Ruthless - Part II

Afagou-lhe o cabelo... Com aquele olhar penetrante tão seu, fitou-o durante uns segundos que mais pareceram horas. Foi naquele momento, naqueles instantes, que percebeu que tudo não passava de uma descomunal mentira, como era tão débil! As suas próprias insanidades dançava ali, de mãos dadas, como se de uma ópera se tratasse - ela, a principal intérprete num passado fictício, e ele... ele era uma espécie de espectador, digamos - o executante dos Intermezzos.

Vagueando novamente, após a sua partida, pensava que nada daquilo era real... Indagava-se constantemente sobre a mesma e central questão - seria aquele doce veneno suficientemente forte para o arredar em definitivo da sua posição entre os não-esquecidos?

A resposta, essa, viria a sabê-la mais tarde... Tarde demais, tão tarde que a sua sombra não pairava já sobre a vida da responsável pelo seu FIM...

Memoirs of the Ruthless - Part I

"Observei esse teu palácio de tormentos... Quem to construiu, e porque nele vives?" - perguntaram-lhe.

A resposta não a sabia, naturalmente. Desde que nascera não conhecera outro refúgio, desconhecia as razões pelas quais alguém foi capaz de o fazer nascer, ali, naquele sítio maldito, e ali o aprisionou para sempre.
Os senhores do lugarejo apercebiam-se que algo se passava com aquele estranho ser que por ali vagueava, sem rumo - impotentes perante a sua dormência.

E ele lá continuava, consumido pela ânsia da sua morte eminente, pela vida que lhe passava ao lado, cada vez mais longe, tão longe... Envolto nos seus nojentos vícios, escrevia sem parar uma espécie de diário monológico que se arrastava indefinidamente, como se cada dia fosse o último. Mas nunca mais chegava, o dia, o tal dia pelo qual esperava há tempo demais...

Mother





Some anger, to start the month... His eyes, so full of rage... Just the same as in mine, too...

Some Kind Of...

(the coming storm, by qwallath, deviantart.com)


Pedes-me para escrever para ti, coisas bonitas como dizes... Quando uma força superior a mim me suga a pouca sanidade que ainda me resta, sem que eu consiga contrariá-la, ou sequer saber a sua origem ou motivo da sua existência... Só me ocorre o vazio, o nada... Porque é assim que me sinto, porque é assim que sempre fui...

Pese embora o facto de estares comigo, a distância torna-se cada vez mais desesperante, e pergunto-me até quando irei aguentar. Deste-me, e continuas a dar, mais do que alguma vez poderia esperar ou imaginar receber de alguém... É uma faca de dois gumes - a tua energia e força de vida contrastam com o ser "moribundo" que encontraste há uns meses, e teimas em querer trazer de volta a um mundo que dele nunca foi... Sinto-me arrasado, pela possibilidade de nunca o conseguires, não por culpa tua, mas minha, só minha... Arrasado pela sensação cada vez mais constante de estar num mundo tão diferente do teu, que a possibilidade de estragar a tua vida, comprometer o teu futuro, existe...

E isso, meu amor, eu não me vou permitir... És demasiado importante para mim, e no dia em que eu tiver a certeza que mais não sou que um estorvo, saberei que a hora, a minha hora, terá chegado...

Letargia

(nevermore, by sybilcassandra, deviantart.com)



Inabalável, esta vontade mórbida de alcançar a paz perpétua. Como é tudo tão complexo e frustrante! É ele, o Silêncio (do vazio), o melhor dos conselheiros, ou o pior dos inimigos... É hora de jogar o jogo, repete ele - com uma voz ensurdecedora que quase me rebenta os tímpanos - é hora de jogar o jogo.

(E eu ali, petrificado, sem conseguir acordar de mais este pesadelo (que não o é) (de novo))...

E eu não tenho paz. E eu não tenho vida. E eu não conheço as regras do jogo, meus amigos...


Beating me down, beating me beating me down, down, into the ground...

Once... (Lifeless)

(tangled entrapment, by jezzie, deviantart.com)



Demasiado triste para escrever o que quer que seja... Aqui sem ti, a vida deixa de fazer sentido... De novo.
How I wish, How i wish you were here...



"That day her eyes were deep as night.
She had the motion of the rose,
The bird that veers across the light,
The waterfall that leaps and throws
Its irised spindrift to the sun.
She seemed a wind of music passing on.

Alone I saw her that one day
Stand in the window of my life.
Her sudden hand melted away
Under my lips, and without strife
I held her in my arms awhile
And drew into my lips her living smile,

Now many a day ago and year!
Since when I dream and lie awake
In summer nights to feel her near,
And from the heavy darkness break
Glitters, till all my spirit swims
And her hand hovers on my shaking limbs.

If once again before I die
I drank the laughter of her mouth
And quenched my fever utterly,
I say, and should it cost my youth,
'T were well! for I no more should wait
Hammering midnight on the doors of fate."


(Trumbull Stickney, "Once")

Devotion...

(Heart of fire, by Moonfever-1979, deviantart.com)



Sem a mínima disposição psíquica, ou inspiração de espécie alguma, eis que tento aqui suprir a quebra da tradição, na ausência de um postal d'O Dia dos Namorados...

Apesar das intermitências entre o bom e o péssimo, que me tens aturado, sei que continuas ao meu lado... Se isso é bom por um lado, por outro assusta-me - o receio de te desiludir cresce a cada dia que passa, com todas e cada uma das demonstrações de afecto que teimas em demonstrar-me...

Não esperando que entendas isto, deixo apenas o essencial, neste dia tão singular - a certeza de te amar, sempre, aconteça o que acontecer.

Happy Valentine's...

Hollow Soul

(sleepy hollow, by blueseas, deviantart.com)




On those dreams
Through my life’s hangover
I walk alone, crying
Screaming
Dying…

Clenching the fists, in the rain
With no remorse
I Look backwards
(For those who killed me)
For those who loved me

As I wake
Sorrow… It wasn’t a dream
Only the reflex
Of my darkest memories
Just one more step
To the end…


To the End.

Angel

Fancy Dreams

(shot me down, by epiphany, deviantart.com)



Circles of pain, suffocating me
as I lie in my bed of sorrow
getting closer,
and closer
to the end...

Screaming for the safety of your arms,
while the tears fall,
insanity is only an old memory
the requiem of my worst nightmares...

(in the end)
Alone again...
the final countdown,
something that never came
one shot...

[the paradise]



*post da minha autoria, à semelhança de todos os outros deste blog, com excepção dos videos, imagens e tudo o que se encontra entre aspas, ou a itálico.

Kiss The Rain

Those Spears

(hope's messenger, by thisyearsgirl, deviantart.com)



Esperanças e sonhos que nos fazem querer viver mais um dia, por mais miseráveis que este mundo (miserável) nos faça sentir - foi isso que me deste, quando achava que as tinha perdido para sempre.

Porém, continuo a ser fraco - a luta contra os demónios do passado é tão desigual como sempre, as suas lanças perfuram-me um coração que julgava já nem ter... Levanto-me e esfrego os olhos, tentando acreditar que não passa de um pesadelo, mais um... Mas não é. As lanças voltam a trespassar-me sem que eu perceba muito bem de onde elas surgem, ou quem as atira contra mim, apesar de o meu subconsciente saber perfeitamente (essa origem)... E o sangue volta a misturar-se com as lágrimas, num ciclo que parece não ter fim.

Serás tu, meu Anjo da Vida, a única capaz de sarar essa ferida que permanece em aberto... A única capaz de precisar o local de onde provêm as tais lanças... Para que uma vez na vida, eu possa acabar com o pesadelo (interminável)... E se assim for, eu ficarei feliz, nem que seja só por um bocadinho...

But I'll never let you go, If you promise not to fade away... Never fade away... (despite all my rage, I am still just a rat in a cage...)

Free Will

(free, by kesudo, deviantart.com)



Que não existem coincidências, já há muito percebi - desde que a minha druidess me alertou para tal, repensei toda a minha existência e concluí que de facto, ela está certa.

Posto isto, meu amor, indago-me acerca de nós - e da forma como tudo se tem processado desde o início da relação. Desde a minha "inexistência" até ao dia em que dela tomaste conhecimento, da forma mais estranha possível, passando pela pseudo-aventura (história do arco da velha) em que te encontravas envolvida e da qual eu te libertei quando já poucas esperanças tinha de o conseguir, e acabando na forma explosiva como tudo começou...

E a única conclusão a que chego, (e tentando não cair na vulgaridade), é que o amor é de facto um lugar estranho... Por mais que tentemos perceber os seus porquês, as suas razões, o mais que podemos fazer é sorrir, pelo simples facto de (dele) podermos desfrutar... Regozijando-nos pela forma (inimaginável) como ele muda as nossas vidas...

Celebrating The Becoming...

(Out of a misty dream, by flordelys, deviantart.com)



Ah, o degredo... É deveras desesperante, quando a vontade da máquina se sobrepõe à do homem, impedindo-o de alcançar determinados objectivos.

Se assim for, my druidess, e na impossibilidade de estar hoje contigo para te desejar uma vida plena de tudo o que mais ambicionas, fica aqui bem explícito este meu desejo - que ela (a vida) te proporcione sempre a realização de todos os teus desejos, e te sejam reconhecidos por todos (os que importam) os teus dotes (únicos) para de uma forma soberba decalcares, em folhas de papel, a tua alma.

Ei-lo aqui, só para ti, o beijo de Parabéns pela tua maioridade, deste teu amigo que jamais te esquecerá.

Nunca Te Esqueceremos




Volvidos três anos da sua morte, fica aqui a recordação de um grande ser humano que com um sorriso nos lábios partiu, deixando um país inteiro em estado de choque... Pessoalmente, foi até hoje a "cena" mais comovente, chocante que alguma vez presenciei... Espero sinceramente que tenha sido a última, que não se volte a repetir, jamais, um acontecimento destes.

Até sempre, Amigo...

Just... Everything

Como um sonho agridoce, do qual espero nunca acordar... É assim que mais facilmente se descreve o estado em que me deixaste desde que apareceste e me salvaste de um fim há muito anunciado... Ainda que a distância seja, para já, impeditivo da felicidade maior... Eis mais uma pequena demonstração dos sentimentos que por ti nutro, e que neste caso (bem piroso e lamechas como o amor deve ser, verdadeiro) diz tudo... Kimi o ai shiteru...


Hurt...




I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know
Goes away in the end
You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

I wear this crown of shit
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know
Goes away in the end

You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way...

(Trent Reznor)

Castigo

Sensação de revolta maior, jamais me havia atingido. Incrédulo perante certos acontecimentos que NUNCA se deveriam verificar, penso para comigo qual será a melhor solução para um problema que se arrasta há tempo demais. Tentar não perder cabeça e agir de acordo com a razão, ao invés do coração, é tarefa por demais árdua. Certas "vidas" nunca deveriam ter sido geradas - a questão do aborto martela-me o cérebro depois do que se passou hoje - nunca deverias ter nascido, monstro.

Agora que não estás mais sozinha, a solução está próxima - tudo farei para te acordar desse pesadelo. A verdade virá ao de cima, e no final, seremos nós a rir-nos da sua triste figura, privada de liberdades elementares das quais (até agora) se regozijava (por ter)...

"But just like the wounded, and when it's too late, they'll remember, they'll surrender... Never a care for that people who hate, underestimate me now!"

Amour

(Herbst Romantik, by Anjetta, deviantart.com)



Esta falta de inspiração que me assola desde há algum tempo tem-se reflectido nos últimos posts - não é meu apanágio recorrer tão frequentemente a palavras de outrem para preencher este meu espaço (pessoal). No entanto, penso não ter caído ainda na vulgaridade com as minhas escolhas... O impacto de um sentimento como o amor num ser tão nitidamente destruído é porventura o "culpado" de tal acontecimento - não que isso seja mau, evidentemente, é apenas algo que me apanhou de surpresa e com o qual ainda não lido da melhor forma, eventualmente... E enquanto ela (a inspiração) não volta, eis mais uma (letra) dedicada a ti, princesa, desta feita em alemão...



Die Liebe ist ein wildes Tier
Sie atmet dich sie sucht nach dir
Nistet auf gebrochenen Herzen
Geht auf Jagd bei Kuss und Kerzen
Saugt sich fest an deinen Lippen
Gräbt sich Gänge durch die Rippen
Lässt sich fallen weich wie Schnee
Erst wird es heiß dann kalt am Ende tut es weh

Amour Amour
Alle wollen nur dich zähmen
Amour Amour am Ende
gefangen zwischen deinen Zähnen

Die Liebe ist ein wildes Tier
Sie beißt und kratzt und tritt nach mir
Hält mich mit tausend Armen fest
Zerrt mich in ihr Liebesnest
Frißt mich auf mit Haut und Haar
und würgt mich wieder aus nach Tag und Jahr
Läßt sich fallen weich wie Schnee
Erst wird es heiß dann kalt am Ende tut es weh

Amour Amour
Alle wollen nur dich zähmen
Amour Amour am Ende
gefangen zwischen deinen Zähnen

Die Liebe ist ein wildes Tier
In die Falle gehst du ihr
In die Augen starrt sie dir
Verzaubert wenn ihr Blick dich trifft

Bitte bitte gib mir Gift


(Rammstein, Amour)

Never Give All The Heart

(for eternity, by agacho, deviantart.com)



Eis um belo poema que me veio à memória esta tarde... Sem saber o que dizer, fazer ou escrever, consumido por uma apatia e uma melancolia indescritíveis, resolvi publicá-lo... Continuo a amar-te como sempre, e tu bem o sabes... Mina rakastan sinua...


"Never give all the heart, for love
Will hardly seem worth thinking of
To passionate women if it seem
Certain, and they never dream
That it fades out from kiss to kiss;
For everything that's lovely is
But a brief, dreamy, kind delight.
O never give the heart outright,
For they, for all smooth lips can say,
Have given their hearts up to the play.
And who could play it well enough
If deaf and dumb and blind with love?
He that made this knows all the cost,
For he gave all his heart and lost."


(Never Give All the Heart, by YEATS [1904])

Abismo 2

Forças que um dia fostes minhas e vos transformastes em fraquezas sem consentimento meu: voltai e salvai da desgraça esta velha sombra que teima em pairar sobre as vidas dos que ama...

I Just Want You

There are no unlockable doors
There are no unwinable wars
There are no unrightable wrongs
Or unsignable songs

There are no unbeatable odds
There are no believable gods
There are no unnameable names
Shall I say it again, yeah

There are no impossible dreams
There are no invisible seams
Each night when the day is through
I dont ask much

I just want you...

There are no uncriminal crimes
There are no unrhymable rhymes
There are no identical twins or
Forgivable sins

There are no incurable ills
There are no unkillable thrills
One thing and you know its true,
I dont ask much

I just want you...

There are no unachievable goals
There are no unsaveable souls
No legitimate kings or queens, do
You know what I mean? yeah

There are no indisputable truths
And there aint no fountain of youth
Each night when the day is through,
I dont ask much

I just want you.


(Ozzy Osbourne, I Just Want You (partial))