Dunkelheit



Quer brote do caos absoluto ou de um segundo de introspecção ao acaso, consome-nos sempre com a mesma intensidade, àqueles que dela nascemos e com ela vivemos, até que um dia

a escuridão.

É quase indefinível, por natureza. Como adjectivar o infinito? Temo-la demasiado entranhada nas profundezas do ser, afoga-nos impiedosamente antes sequer de pensarmos em dar umas braçadas em direcção à salvação...

Não sei nadar.

O sangue ferve e não há banho de gelo, antibiótico ou gesto de bondade alheia que o impeçam de se consumir, de dentro para fora, que de fora para dentro não vem nada,

é um infinito de continuidades que me abafa,

e o ar irrespirável inundado de promessas quebradas, envenenado pelas minhas próprias mãos. Com que direito me posso queixar a alguém?

Um poço sem fundo de inóspito vazio: é o que nos espera a cada virar de esquina, a cada dia que vivemos, nós que somos seres amorfos à espera de qualquer coisa que nos salve,

sabemos lá nós bem do quê...

Não temos salvação.

Deixe-mo-nos, pois, de devaneios, e cinja-mo-nos aos factos: só temos uma escolha a fazer, e com ela haveremos de viver ou deixar morrer...

Continuamos?


Winter/Heart

(Imagem: Aqui)


Precoce. O Inverno da vida, quando nem sequer o Outono deveria pairar no horizonte mais próximo, mas o coração

e os sonhos...

Tolhidos à nascença, que nem alhos semeados fora de época. Às vezes penso nisso, acho que fui semeado muito aquém (ou terá sido além?) de um tempo que jamais serviu para apaziguar o que quer que fosse.

"O tempo cura tudo"...

Mais vezes me insurgi contra a veracidade de tal afirmação, do que aquelas em que ela me fez algum sentido.

Não cura coisa nenhuma, o tempo só intensifica a dor. Prolonga as mágoas, perpetua os arrependimentos, condena-nos a um purgatório real, muito mais cruel e doloroso do que o (fictício) que espera os "pecadores", segundo as principais religiões.

Gostava de encontrar uma forma de mudar o tempo. Se não o tempo, o meu tempo. Gostava de viver um só dia de felicidade genuína, de chegar à noite e não ter medo de dormir, 

porque os pesadelos...

Gostava de voltar atrás e ter-te agarrado o braço, virado para mim e dito: desculpa-me por tudo, sou uma besta. Mas o amor que sinto por ti jamais se extinguirá, por mais anos que viva...

Por mais tempo que passe.

Não o disse e tu, claro, não podias adivinhar. Mataste o teu mas esqueceste-te de me dizer como matar o meu.

Amor.

Dois anos passaram, e ainda não faço ideia de como matar este amor,

amor...

E a cada dia que passa, mais pesada a respiração, mais longas as noites sem dormir, maior a apatia nos estados de consciência, e o medo...

De acordar novamente e saber-te perdida para sempre, e não saber como te encontrar, ou viver sem ti, de

já ter morrido sem dar por isso. Acho que não há nada pior... E se houver...

De certeza que já por lá passei e não dei conta.

One last goodbye?