Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.
You're only given one little spark of madness. You mustn't lose it.
Felizmente certos homens são imortais. Seria demasiado triste, termos que nos despedir deles com um até sempre qualquer, sem hipótese de regatear ao tempo só mais cinco minutos da sua presença.
De um dos maiores actores de sempre (grandioso em todos os sentidos importantes da vida, segundo quem o conhecia) sobra imenso para matar saudades: as palavras, as imagens, as histórias... Essas nunca morrerão, sintamo-nos pois afortunados por termos tido o prazer de partilhar o tempo das nossas vidas com um indivíduo capaz de nos despertar tantas (boas) emoções, num mundo cada vez mais frio e desprovido de sentimentos (bons).
De tantas homenagens, de tantos agradecimentos, de tantas coisas fantásticas que foram ditas por tanta gente, retiram-se muitas conclusões, vivem-se muitos sentimentos quase todos convergentes num sentimento fundamental: orgulho.
Quase nunca senti como hoje orgulho no meu país, em todo um povo que se uniu em torno de um acontecimento que, sendo bastante triste, deve ser encarado com a alegria da celebração de uma vida ímpar e exemplar de um daqueles homens que são, por si só, homenagens à própria humanidade, àquilo que de melhor a mãe natureza consegue criar, não obstante a inevitável erosão que o tempo e as vivências vão operando e que quase sempre nos transformam para pior.
Não foi o caso.
Eusébio.
Foi dito quase tudo, e por isso pouco tenho a acrescentar. É esta a minha homenagem ao grande homem que ontem nos deixou, mas que, naturalmente, jamais será esquecido, uma lenda imortal que estará sempre presente na memória de todos aqueles que tiveram o prazer de ver e ouvir uma das figuras maiores da história de Portugal... E mais além.
(Ver o Santiago Bernabéu (e também Old Trafford, ouvi agora) cheio a respeitar um minuto de silêncio enquanto nos ecrãs gigantes passavam imagens do Pantera Negra, complementados com a emocionada (e emocionante) dedicatória (e posterior homenagem) dos dois golos que o melhor jogador da actualidade lhe fez, diz bem da magnitude da lenda que este grande senhor carrega consigo até à eternidade)...
“For to be free is not merely to cast off one’s chains, but to live in a way that respects and enhances the freedom of others.”
Fossem assim todos os homens, e o mundo seria um lugar perfeito... Já que não o é, ao menos que tenha aprendido alguma coisa com o exemplo de um dos maiores seres humanos que algum dia viu nascer.
Nada de novo, por ali: os mesmo rostos velhos e desprovidos de expressão, espremidos e secos por força da(s) crise(s) e da ausência de felicidade; os mesmos lugares, cada vez mais vazios e também eles envelhecidos pela falta de cuidados, e sorrisos.
Deixamos de sorrir, e quando damos por nós, fazemos parte da mobília: de estatísticas deprimentes, somos o alimento perfeito para tubarões covardes que se aproveitam da fraqueza alheia para encher a pança; somos meros bonecos de trapos, bolorentos e rotos, espezinhados e atirados aos lobos, sem qualquer tipo de pejo.
Mas... Já nem eles nos querem.
Pouco a pouco, expropriam-se de tudo: do dinheiro, da nossa língua, da nossa dignidade...
E nós? Deixa-mo-nos morrer. Deixa-mo-los matar-nos, quais cordeirinhos assustados com medo do papão... "Seja o que deus quiser...", e outras baboseiras que tais.
O povo tem o que merece, e depois queixa-se da sorte. Deixaram-se enredar na podridão de uma teia com várias décadas de construção, e agora vão-se embora... Que remédio!
Cada vez faz mais sentido, o título deste blog... Não falo só por mim. A doença alastrou a níveis impensáveis, seremos enforcados com a corda que deveria servir para nos puxar do buraco, e a esperança de que assim não seja é cada vez mais ténue e distante...
Descansemos, pois, todos em paz. Ámãe. (E ao pai também)...
Dos estados semi-comatosos de alguns, mais não sobressaem senão os laivos de tacanhez que os ridicularizam enquanto seres humanos, estados esses dos quais é quase impossível acordar, uma vez neles mergulhados, uma vez rotulados e classificados os seus portadores, quase sempre, em quase todos os sítios.
O veneno produzido pela inveja é dos piores de todos: não sendo imediatamente letal, vai corroendo as veias, fervendo o sangue a uma temperatura tão elevada que, depois de dissolvidos os neurónios, transforma os indivíduos em seres semi-autómatos - previsíveis, como que pré-programados para a mesquinhez, sem alma: vazios.
Quando se chega ao ponto de desejar ardentemente a morte de um semelhante, apenas e só, com base na diferença de classes económicas, a humanidade está irremediavelmente perdida.
Afinal, tudo tem o seu preço... E trabalhar com afinco toda uma vida, é algo sobrevalorizado, pensam alguns. Só para malucos...
Certas pessoas que eu conheço, tiveram hoje um dia feliz.
"Excomungada morte, bem pouco trabalha", foi uma frase recorrente em certas bocas, cujas preces finalmente foram atendidas.
Ele morreu hoje, e a alma dos tristes sossegou.
Oxalá tivessem sido eles a "embarcar" no seu lugar, decerto o mundo teria ficado bem mais feliz.
Mas infelizmente, justiça é coisa que não existe, nos dias que correm.
Disse sempre, que se pudesse escolher uma voz, de um qualquer cantor, como a minha favorita, como aquela que eu gostaria de ter, se cantasse, teria grandes dificuldades em escolher entre dois homens: Robert Plant, e Peter Steele...
O segundo morreu ontem, e o mundo da música ficou incomensuravelmente mais pobre.
Peter Steele, o vampiro, o dono de uma das vozes mais poderosas e incrivelmente belas de todo o sempre (na minha humilde opinião) deixa-nos aos 48 anos, e atrás de si, um legado invejável, através de uma das melhores bandas de Metal jamais existentes, os Type O Negative.
À sua música "Life Is Killing Me" se deve a designação deste blog, e também ele ficou, hoje, mais pobre...
Entre o choque e a tristeza infinitas que se apoderaram de mim, aquando da oficialização deste trágico incidente, é-me difícil expressar-me da melhor forma, mas fica aqui a minha singela homenagem ao homem, ao músico fantástico que nos deixou mas cuja memória viverá para sempre, ao som da sua música...
Ninguém deve dormir... É a tradução aproximada daquela que foi, a meu ver, a maior de todas as interpretações por parte deste grande senhor, que hoje adormeceu para sempre e deixou nos corações de todos aqueles que amam a arte, qualquer que seja a sua forma, um lugar que jamais será preenchido de novo... Calou-se a maior de todas as vozes, a do filho pobre de um padeiro que apesar de ter feito fortuna com a sua voz jamais esqueceu os necessitados... É a esse grande ser humano que dedico esta pequena homenagem, ciente da incompreensão que ela possa ter junto da maioria das pessoas que possam lê-la. Não é, contudo, a elas que se dirige este texto.