É Ser (?) do Que os Homens...

(Imagem: Link)


Ter todo o tempo do mundo, e ainda assim, não ter tempo para fazer parar o tempo, e respirar, querer quebrar o ritmo sufocante desta espiral de loucura que nos conduz ao abismo, e... não ser capaz.

Há muito tempo que me olho ao espelho e não reconheço a pessoa fria, amarga, e não raras vezes, cruel, em que me transformei nos últimos anos. Gostava de poder voltar atrás, ao tempo em que a jovem criança perdeu a inocência, mas... Não sei sequer ao certo onde me perdi, ou se...

Porventura foi o mundo que se perdeu, à minha volta, e eu, o último dos que teimaram em ficar, sonhando com um futuro melhor cujo preço jamais poderei pagar.

Não tenho arcaboiço para tanto.

O mundo gira a uma velocidade que eu jamais conseguirei acompanhar... O que não deixa de ser irónico, face ao ritmo alucinante em que a minha mente opera, trezentos e sessenta e cinco dias por ano.

Abrandar a mente, e acelerar o corpo em direcção ao rumo certo... Impossível? Claro que sim. Pelo menos a mim assim me parece, do alto dos meus quase-trinta de (in)experiência.

Fármaco algum será algum dia suficiente para gerar um impulso capaz de me fazer acordar para uma realidade que jamais conheci, para o mundo do qual outros desejam que eu faça parte.

Jamais estarei aí.

E enquanto não vos convencerdes que eu não partilho das crenças (espirituais e não só) que vos movem, dos vossos ideais ou estilos de vida, jamais me conhecereis, e jamais conseguireis compreender o porquê de eu assim dizer:

Life is killing me...

Entombed


Só porque já estava farto de ver o poema anterior como entrada do blog;

Só porque tenho mais de 10 rascunhos desde a última vez que escrevi, e não existe inspiração para acabar nenhum deles;

Só porque se trata de uma das melhores músicas, presente no melhor álbum do ano, de uma das melhores bandas da actualidade.

Só.

A Dream Within A Dream


Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow-
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.

I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand-
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep- while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?

(Edgar Allan Poe)

Sem Armas ou Barões: Assassinados





Há seis meses que mais um ano, e nada.

Nada de novo, por ali: os mesmo rostos velhos e desprovidos de expressão, espremidos e secos por força da(s) crise(s) e da ausência de felicidade; os mesmos lugares, cada vez mais vazios e também eles envelhecidos pela falta de cuidados, e sorrisos.

Deixamos de sorrir, e quando damos por nós, fazemos parte da mobília: de estatísticas deprimentes, somos o alimento perfeito para tubarões covardes que se aproveitam da fraqueza alheia para encher a pança; somos meros bonecos de trapos, bolorentos e rotos, espezinhados e atirados aos lobos, sem qualquer tipo de pejo.

Mas... Já nem eles nos querem.

Pouco a pouco, expropriam-se de tudo: do dinheiro, da nossa língua, da nossa dignidade...

E nós? Deixa-mo-nos morrer. Deixa-mo-los matar-nos, quais cordeirinhos assustados com medo do papão... "Seja o que deus quiser...", e outras baboseiras que tais.

O povo tem o que merece, e depois queixa-se da sorte. Deixaram-se enredar na podridão de uma teia com várias décadas de construção, e agora vão-se embora... Que remédio!

Cada vez faz mais sentido, o título deste blog... Não falo só por mim. A doença alastrou a níveis impensáveis, seremos enforcados com a corda que deveria servir para nos puxar do buraco, e a esperança de que assim não seja é cada vez mais ténue e distante...

Descansemos, pois, todos em paz. Ámãe. (E ao pai também)...

Insuflável

(Imagem: Link)


Passam palavras pelas bocas dos outros, quase tantas como as moscas num dia quente de verão, e nós, meros farrapos num saco de palha esquecido à beira do mar da solidão.

Não pesassem tanto as pálpebras, de tantos caminhos percorridos, e quem sabe, novos rumos descobertos pela manhã, um dia.

Não fosse a rigidez de todos os músculos, e quem sabe, pernas para cortar metas em lugares nunca antes alcançados, os primeiros de toda uma vida...

Não.

Farrapos foram feitos para voar ao sabor do vento, impérvios réis da sem vontade, senhores de coisa alguma senão o pérfido cheiro do bolor que se acumula no fundo de um saco de palha, esquecido, à beira do mar da solidão...

Loop

(Imagem: Link)


Haviam-lhe dado quase tudo o que necessitava para viver.

Puseram à sua disposição matéria prima que, soubesse trabalhá-la devidamente, lhe teria permitido ser feliz, nem que fosse só (por) um bocadinho...

Mas se, rodeado de gente, a solidão...

Costumava sonhar com intermináveis planícies verdejantes, e árvores... Trepar por elas acima, e uma vez no topo, colocar a mão sobre a testa, e um pouco a custo, por entre os raios de sol, vislumbrar um futuro auspicioso, mas...

A escuridão...

Sim, a noite.

Interrompera-lhe sempre os sonhos, tomara em seus braços a sua alma e para sempre o condenara à inevitabilidade da sua amargura...

Tivesse ao menos quem fosse capaz de o entender, numa simples troca de olhares... Talvez fosse então capaz de desbravar o seu caminho, encontrar o seu lugar no mundo, ser alguém por um minuto que fosse...

Mas se, rodeado de gente, a solidão...

À noite... A solidão.

Last Piece of... Air

(Imagem: Link)


Viaja por aí fora, invisível para quase todos, a morte.

Numa qualquer composição de um qualquer comboio, num lugar qualquer.

Num piscar de olhos, ataque cardíaco. Deixa mulher e duas filhas, coitadas. O que será delas, doravante?

A morte, não quer saber.

É um bicho traiçoeiro, e se há coisa que não tem, é coração.

Ou piedade.

Estava na varanda de um quinto andar, escorregou e puff.

Era solteiro, desempregado, ninguém se irá importar, decerto...

Muito menos a morte.

Essa que viaja por aí, numa qualquer composição de um qualquer comboio, de um lugar qualquer...

Ignore-mo-la, também.

Pouco mais podemos fazer, de que adianta chorar, ou ter pena...

... Se de nós a morte não tem?

Stone (Im)maculated

(Imagem: Link)


Viera e indagara um imperceptível "como estás?" por detrás daquele véu de timidez que teimava em absorver-lhe a voz, e o ser.

Era um pássaro castrado que não podia voar; um ser pálido e bacoco, vítima de um tempo implacável, e de si próprio.

Arrastara as asas pelo chão, tempo suficiente para já não ter penas.

Eram agora dois pedaços de carne nua, ensanguentados e órfãos de tudo aquilo que um dia os definiu. Eram músculos flácidos e envelhecidos, desprovidos de força, retalhos de uma vida perdida em prol de ninguém.

Quis acreditar que podia fazê-las bater de novo...

Mas o coração estava definitivamente comprometido; Já não bombeava sangue suficiente para que pudesse erguer-se do frio chão de tantos Invernos; Enregelado, era um corpo inerte votado para sempre aos caprichos do vento, e a mais do que isso não podia aspirar.

Resignara-se, por fim, à sua sorte. Afinal, outra não procurou... De que adiantava queixar-se?

Alimentava apenas, um derradeiro desejo: que os seus olhos se fechassem por fim, envoltos em resplendor: sem sofrimento, nem dor...


Sensus Catholicus

(Imagem: Link)


Os que acodem à podridão, insectos pestilentos que mãos não temos para sacudir da face, predadores também eles, insignificantes nesta selva minúscula que nos atola e vai sugando, sabe-se lá até onde...

Como podemos sobreviver, se máscaras não possuímos, se botas não nos protejam destes chãos mortais, quem julgamos ser para merecer a honra de persistir, contra todas as coisas?

Somos cães raivosos sedentos do sangue das ovelhas que nós próprios criámos.

Somos as larvas vorazes que devoram tudo o que não tem vida... Por lha termos tirado!

Assassinos cruéis, em nome de um deus menor. De uma mentira que inventámos para desculpar a nossa verdadeira natureza, cobarde e cruel, hipócrita e despida de razão, somos o mais fraco de todos os animais que povoam este minúsculo grão de areia num universo infinito.

Defeco no vosso deus. Chamo-vos tudo o que me vier à cabeça! Estúpidos imbecis, como ousais julgar-me por não crer na vossa triste invenção?

Serei macaco antes de crente. Dançarei por cima dos vossos faustosos túmulos, e de manguito cerrado em direcção ao céu que pensais esperar-vos, serei eternamente maldito, pois antes o mal encarnado, que a podre representação do bem que fingis ser nesta vida, ignóbeis candidatos à paz eterna!

áMEN!

(Des)Equilíbrio(s)

(Imagem: Link)


Quando se torna insuportável a única coisa que sempre nos confortou... Sabemos ter sido derrubada a última das barreiras capazes de impedir que a insanidade se apodere de nós, por fim.

O silêncio.

Consome-me agora como as larvas os corpos na terra ímpia de ninguém.

Sou uma mera marioneta, perante as forças do mal que de mim se apoderam nos momentos críticos de desespero;

Um boneco de madeira subjugado pela imensidão de uma força invisível que o toma nas mãos e lhe suga a alma; olhos vazios perante os horrores ditados pelas mais simples leis da natureza.

Fosse o abismo uma simples equação, e decerto ter-me-iam dito como se resolve;

Fosse a luz um objectivo tangível a qualquer mortal, e o mundo seria perfeito.

Nunca o será.

Resta-nos tentar encontrar conforto nessa lógica arcaica, do equilíbrio natural de todas as coisas.

Esperar, calmamente, pelo dia em que seremos capazes de lhe esticar o dedo do meio, e decidir-mo-nos, por fim, a quebrá-lo, a desequilibrar a balança para o lado da (nossa) justiça, a dizer: adeus...

I've been waiting for a guide to come and take me by the hand,
Could these sensations make me feel the pleasures of a normal man?

Bernardo Sassetti


Chora um país, a perda precoce de um dos seus maiores talentos...

Descansa em paz, Bernardo.

To Build A(n) (amazing) Home



Se existem músicas que merecem um post inteiro... Esta merece um blog, e muito mais.

Não vale a pena dizer muito, é só (sentir)...

Glimpse of the Night

(Imagem: Link)


Not a single blink, from the lifeless eyes that gaze the night sky. Fools!, looking for the stars, regardless of their own blindness...

Who spoiled them?

Perhaps, the solitude.

Or...

The infinite sadness of days, hidden somewhere behind those drops of nothingness that flows from them, unremarkably...

Exanimus, they let themselves stay for one more day... Only as a form to pay tribute to their life-giver heroine.

Maybe it's time to start dying for myself...

Longing

(Imagem: Link)


Come to me in my dreams, and then
By day I shall be well again!
For so the night will more than pay
The hopeless longing of the day.

Come, as thou cam'st a thousand times,
A messenger from radiant climes,
And smile on thy new world, and be
As kind to others as to me!

Or, as thou never cam'st in sooth,
Come now, and let me dream it truth,
And part my hair, and kiss my brow,
And say, My love why sufferest thou?

Come to me in my dreams, and then
By day I shall be well again!
For so the night will more than pay
The hopeless longing of the day.

(Matthew Arnold)


(Dedicated to you... <3)

Mad... Dreams?

É curioso, como à tremenda frequência com que tenho pesadelos (durante o "sono") (entre parêntesis porque, há muito que não sei o que significa dormir, na verdadeira acepção da palavra), tão poucas vezes sonhei com a minha própria morte.

Não deixa de ser irónico, pois abordo esse assunto com muito maior frequência, no meu estado consciente; talvez o meu subconsciente não esteja ainda preparado para tais andanças...

Hoje fui assassinado, e pareceu tão real, que não pude deixar de pensar nesta música, o dia inteiro... Ao contrário do autor, porém, tão malogrado destino não se situa propriamente entre os melhores sonhos que já tive, outrossim, no extremo oposto... Foi deveras perturbador.

Não obstante:


...

Miserable Bliss

(Imagem: Link)


Não sei ao certo se, provém do nauseabundo odor a ausências, tal sensação. Descrevo-me apenas como: sem sentido.

Perco-me demasiadas vezes, nos meandros de nenhures; estou já demasiado embrenhado, neste marasmo de ideias; não conseguirei soltar-me jamais, destas amarras invisíveis que me prendem à loucura.

Consumo-me tão fugazmente como a mortalha de um cigarro, feito à pressa e sem jeito, no bulício descoordenado a que a ausência de nicotina obriga... Quero travar uma vez mais, mas quais pulmões?

Este sufoco,

cianótico

vai conduzir-me ao a um destino intragável, inevitável, incontornável.

Reinventei-me vezes demais; por hora contemplo a quietude do meu corpo inerte, condenado à eterna solidão nos poucos dias que lhe restam... E, mudo, assisto ao final dos tempos, qual visionário cego (de utopias inexequíveis), idiota...

Não fui feito para este mundo...

E ele não foi feito para mim.

Fog

(Imagem: Link)


Se é conhecido de antemão, o destino para o qual nos dirigimos, porque nos sentimos perdidos sempre que à noite, o nevoeiro?

Temos as almas demasiado torturadas, para que do misticismo próprio do fenómeno atmosférico, consigamos retirar mais do que um punhado de melancólicas recordações, que à mistura com vãos vislumbres de melhores futuros, nos toldam o cérebro mais que a visão, à noite.

Ela fala comigo, e eu quase não a ouço... Tenho os ouvidos demasiado cheios de nada.

Não posso deixar, contudo, de sonhar, como ela... Sabem sempre bem, aquelas pausas momentâneas, na negritude do ser; tudo o que nos separa, se prende por um detalhe tão pequeno, como a expressão do tempo...

E se um dia, a felicidade se sobrepuser à efemeridade de momentos felizes, como aqueles que temos vivido? Existirá vida, para além deste sufoco?

Será...?