Even... More?

(Unwithered, by Winterregen, deviantart.com)



Como se fosse um mero naco de carne vezes sem conta cortado, martelado, temperado e retemperado antes de ao refogado final ser lançado. A panela estava quente, sabia-o. Trucidava-lhe o cérebro, qual pastilha mastigada, a ideia de que afinal viver nunca haveria de passar de uma mera e utópica ilusão.

Enxames de mentiras descabidas, disparadas ao vento (ainda sereno), como que de palas para os olhos cegos pela verdade dos factos se tratassem. "Não podes fazê-lo!" ... Ansiava pelo momento em que iria por fim ser capaz de gritar-lho, a plenos pulmões, seguro de que a sua condição actual não seria mais sustentável pela infâmia, pela sem-vergonhice de quem outrora se dizia rei de todo o bem, da suprema, absoluta e descomprometida VERDADE.

Não passava de um zé-ninguém, sabia-o... Mais um falhado no meio de tantos outros que nunca são notícia por motivo algum. Mas era, acima de tudo, verdadeiro. E assim haveria de morrer, nem que fosse para provar a quem um dia o tentou iludir, convencendo-o que a mentira supera a verdade a qualquer custo, que quem estava errado não era, de todo, ele...


I'm lying on a stretcher, they're lyring to my face... There's no-one left to help me, I'm just a waste of space...

2 comentários:

António João Mito disse...

Nao me ausento. Apenas tenho dado lugar ao meu tédio e, sinceramente, têm-me faltado a força da palavra sobre a apatia da vida. Estou de volta em breve mesmo sem saber porque o faço.. talvez necessite mais da droga do que ela necessita de mim (sei que me entendes assim). Obrigado pelas tuas palavras de apoio, pois se existe alguém para quem escrevo é para pessoas como tu (poucas mas de alma distinta). um abraço

Anónimo disse...

È preciso ser-ser ALGUEM...N-ao é quelquer um que se lembraria de fazer um refogado de ZÈ NINGUEM
anotei a receita
jinho
S.S.