To The (un)Known Girl


(Imagem: Link)



Momentos de pura magia que nos desligam por completo, de insossas e sofríveis realidades, como que melodiosas execuções musicais num simples piano, pelas mãos do seu mestre, fazedor de sonhos, intérprete de utópicas composições por vezes tão perdidas no tempo, que é preciso quase um milagre para que nos apercebamos da sua imensidão.

Eras assim. Beleza no seu estado puro, a aurora imaculada dos meus dias mais felizes, ou o ocaso no oceano dos mais ardentes desejos de uma noite inesquecível.
Todos os dias eu me deitava, e sonhava com o momento em que os nossos corações haveriam de tocar-se, quando unidos pelo mais desejado de todos os abraços, no augurado momento de um encontro que jamais aconteceu.

Soube-o desde sempre. Idiota, aquele que nasceu para tostão, e aspira um dia chegar a milhão. Mas eu quis sê-lo. Quis acreditar novamente, contra tudo e contra todas as probabilidades, e o final, previsível, efémero, antes ainda do previsto. Por mim, claro. Do outro lado, tudo parecia calculado ao milímetro, como não poderia deixar de ser.

Cansado... De um mundo virtual que mais não tem proporcionado senão desilusões. De uma vida agonizante que parece não ter fim, de um espírito aprisionado dentro de um corpo, de um local e de um mundo que para ele não foram feitos, e que dele mais não obterão senão a perpétua rejeição, consciente que estou da proximidade de um final cada vez menos distante, ansioso pela doce libertação que desejo mais do que a qualquer outra coisa, desde que me conheço.

When I pass, speak freely of my shortcomings and my flaws. Learn from them, for I'll have no ego to injure. [Aaron McGruder]

6 comentários:

António João Mito disse...

Já não sei se me pertenço. Não sentes tu que te desgastas sempre que aqui nos comunicas desta maneira?... enfim devaneios meus, meu amigo que nunca vi. Porque haveria eu de dizer que te percebo?
Penso entender apenas parte do que sentes. Aquela que talvez seja a que nos une em empatia inexplicável...talvez.

Gravepisser disse...

Meu amigo (que nunca vi pessoalmente): o desgaste que referes é uma realidade, no entanto, não num sentido de auto-exposição pública, se era isso que querias dizer. Afinal, quase ninguém sabe o que quer que seja acerca de mim, por opção própria.

É de facto um mundo desgastante, este, virtual. Por vezes tentamos enganar-nos, julgando sermos portadores de um bom senso que nos impede de cair em certos extremos... E, num ápice, eis que ele (o bom senso) se perde, e nos vemos sugados para dentro de algo que, sabendo de antemão ser ilógico e irracional, não conseguimos evitar...

Este blog sempre serviu como um escape, uma forma de desabafo, por vezes empolado, irónico ou demasiado sarcástico, mas nunca passou muito disso.

Ultimamente, têm acontecido coisas susceptíveis de lhe (e consequentemente "nos") alterar o rumo, e a senhora a quem este post é dirigido tem a sua cota parte de responsabilidade nisso. Afinal, quase todas as mulheres que ousaram conhecer-me, além ou através deste espaço, acabaram por sofrer, ou fazer-me sofrer terrivelmente, vá-se lá saber porquê. Chamar-lhe-ia maldição, não fosse eu o maior céptico que existe - assim, prefiro chamar-lhe, apenas, "azar".

A motivação para escrever é cada vez menor, assim como é cada vez mais difícil sentirmo-nos "entendidos" por parte de quem nos lê.

É possível que abandone em breve este projecto que iniciei há mais de dois anos. Mas até lá, continuo a contar com a tua visita, e a de todos aqueles que acharem por bem regressar, a um espaço que, ao contrário de outros, está e estará sempre livre de quaisquer espécie de pretensiosismos, se é que me entendes.

Obrigado

Crest© disse...

Bem se andas aqui há dois anos, posso dar-te um conselho de quem anda aqui há 5.

A exposição pessoal devido a conhecimento online, regra geral dá mau resultado, se houver algum tipo de sentimento que não seja uma amizade. Tudo o que se sentir online a mais que amizade é um problema.

Tu como homem, talvez não idealizes fisicamente uma pessoa ou nem dês valor a isso, mas a mulher invariavelmente fá-lo e é aí que reside o problema, pois a imagética delas de acordo com o que lêem é tão forte, que a sua desilusão é quase certa. A desilusão delas não é um problema nosso é um problema delas, mas não deixam de afectar.

Conheço imensos que foram afectados por isso. Pessoalmente coloquei há um ano, uma leitora à prova, teste que ela falhou em todos os aspectos.

O que aqui te escrevo, não é uma lei em como lidar com isto,é só um ponto de vista, o que conta é o que tu pensas o aquilo em que acreditas.

Boa sorte :)

Gravepisser disse...

Crest©,
Sim, tens toda a razão do mundo e arredores. Pode até acontecer que a leitora a que te referes seja a mesma blogger a que me refiro, pois sei que contactou contigo de outra forma para além dos comentários no blog. Não é, no entanto, muito plausível que assim seja, dado o número de mulheres que seguem o teu blog ser bastante elevado, a probabilidade é, suponho, reduzida.

Não creio que a "coisa" tenha dado para o torto por causa de alguma desilusão com a parte física. Instabilidades emocionais e psíquicas, cada vez mais evidentes com o passar do tempo, e a recusa na assunção das mesmas/receio em admitir determinados factos, são porventura a explicação mais plausível. No entanto, e como não sou adivinho, não excluo qualquer tipo de possibilidade, visto eu próprio ainda não ter percebido muito bem o que aconteceu.

Quando eu digo que a motivação para escrever é cada vez menor, assim como é cada vez mais difícil sentirmo-nos "entendidos" por parte de quem nos lê, não estou a lamentar-me: apenas constato algo que tenho vindo a sentir, ainda antes do que aconteceu com esta senhora a quem o post é dirigido, e independentemente dos pseudo-relacionamentos passíveis de serem iniciados através de um meio virtual (prática que, tal como tu, também eu considero (racionalmente) impossível e geradora de grandes problemas).

(E, ainda assim, deixei-me ir.) Nada que não se resolva.

Muito obrigado pela exposição do ponto de vista, perfeitamente lógico e enquadrado no contexto daquilo que tenho tentado transmitir ultimamente, e nomeadamente, neste post.

Crest© disse...

Gravepisser disse...

"Pode até acontecer que a leitora a que te referes seja a mesma blogger a que me refiro, pois sei que contactou contigo de outra forma para além dos comentários no blog."

Por estas tuas palavra fiquei a sabes mais do que necessitava. Pois fiquei a perceber a quem este post é dirigido.
Mas garanto-te que não. O que disse nada tem a ver com a pessoa a quem te diriges.

"No entanto, e como não sou adivinho, não excluo qualquer tipo de possibilidade, visto eu próprio ainda não ter percebido muito bem o que aconteceu."

Pois... no que toca a mulheres, por vezes é melhor não perceber, principalmente se elas não querem explicar. Se querem, devemos ouvir e pelo menos tentar, perceber.


"Quando eu digo que a motivação para escrever é cada vez menor, assim como é cada vez mais difícil sentirmo-nos "entendidos" por parte de quem nos lê..."

Acho que a motivação de escrever e o facto dos leitores te entenderem, são duas coisas distintas. No meu caso é muito comum os leitores concordarem, sem que entendam e é possível que entendam sem que comentem.
Tal como no teu caso. Se um único leitor que seja, entende o que escreves ou sentes, o que achas que ele poderia comentar?
Iria ser certamente um comentário "vazio".

Eu acho que quem entende, realmente e quem atinge o objectivo do texto, não tem o que comentar, a não ser que seja um texto levante questões passíveis de discussão.

Parte da motivação de escrever, vem dos comentários, mas outra parte vem todos aqueles anónimos que passam, lêem e nada dizem, acho esse mistério motivante para escrever, pois apesar de nada dizerem, lêem texto após texto.

"(E, ainda assim, deixei-me ir.) Nada que não se resolva."

Como referiste, tenho imensas leitoras do sexo feminino e digo-te que é muito difícil não nos deixar-mos ir. A curiosidade de uma mulher motiva-a, de uma forma impressionante e desarma qualquer homem. Uma mulher curiosa ou desconfiada é mais eficaz que a policia criminal.

Imensas, fica-se pelo blog. Muitas iniciam trocas de mails aos quais respondo. Aí normalmente são testadas e por consequência testam-me. Raras são as que passam ao próximo passo que é o chat.

Estisticamente posso-te dizer

Em cada 100 leitoras, 20 iniciam e-mails, dessas 20, 5 ganham acesso ao msn e passar daí, comigo, só passou uma. Só uma sabe realmente quem eu sou.

Neste mundo virtual anónimo, temos de nos proteger, pois nem tudo o que brilha é ouro.

Gravepisser disse...

Crest©,
Se havia pessoa na blogosfera que poderia saber de quem se tratava, eras tu. Não gosto de publicar assuntos que digam respeito à minha vida pessoal de uma forma directa, mas visto que este nem chegou a passar da virtualidade, e visto seres provavelmente o meu único leitor que alguma vez contactou com a visada fora da blogosfera, penso não estar a expor aqui a imagem de ninguém, se o fizer não será com o intuito de ferir a pessoa em causa, este texto é apenas mais um dos meus devaneios, que não deve nem pode ser levado a sério por quem quer que seja.