Winter/Heart

(Imagem: Aqui)


Precoce. O Inverno da vida, quando nem sequer o Outono deveria pairar no horizonte mais próximo, mas o coração

e os sonhos...

Tolhidos à nascença, que nem alhos semeados fora de época. Às vezes penso nisso, acho que fui semeado muito aquém (ou terá sido além?) de um tempo que jamais serviu para apaziguar o que quer que fosse.

"O tempo cura tudo"...

Mais vezes me insurgi contra a veracidade de tal afirmação, do que aquelas em que ela me fez algum sentido.

Não cura coisa nenhuma, o tempo só intensifica a dor. Prolonga as mágoas, perpetua os arrependimentos, condena-nos a um purgatório real, muito mais cruel e doloroso do que o (fictício) que espera os "pecadores", segundo as principais religiões.

Gostava de encontrar uma forma de mudar o tempo. Se não o tempo, o meu tempo. Gostava de viver um só dia de felicidade genuína, de chegar à noite e não ter medo de dormir, 

porque os pesadelos...

Gostava de voltar atrás e ter-te agarrado o braço, virado para mim e dito: desculpa-me por tudo, sou uma besta. Mas o amor que sinto por ti jamais se extinguirá, por mais anos que viva...

Por mais tempo que passe.

Não o disse e tu, claro, não podias adivinhar. Mataste o teu mas esqueceste-te de me dizer como matar o meu.

Amor.

Dois anos passaram, e ainda não faço ideia de como matar este amor,

amor...

E a cada dia que passa, mais pesada a respiração, mais longas as noites sem dormir, maior a apatia nos estados de consciência, e o medo...

De acordar novamente e saber-te perdida para sempre, e não saber como te encontrar, ou viver sem ti, de

já ter morrido sem dar por isso. Acho que não há nada pior... E se houver...

De certeza que já por lá passei e não dei conta.

One last goodbye?

3 comentários:

Beatriz disse...

E de repente senti-me alguns anos mais nova...
E de repente achei que podia ter sido eu a escrever esse texto, hoje, tantos anos mais velha.


I'm still reading you.

Nuno B. disse...

Muito obrigado, minha querida. Nem sabes o quanto isso significa para mim.

Tenho saudades de ler os teus escritos, ainda que prefira assim: sei bem de onde surge a (nossa) inspiração, e sabendo-te desprovida de tão negras sensações, alegro-me por estares bem e num lugar melhor do que aquele em que (continuo a estar).

Um beijo grande.

Beatriz disse...

Oh meu querido, nem sonhas tu o que por aqui vai...
Ao longo do tempo vamo-nos habituando à ideia de que "o tempo cura tudo", como tu tão bem dizes. E lutamos para que o tempo cure mesmo tudo, mas sabes uma coisa? Não cura.
Esse maldito tempo só te faz não pensar sobre o assunto e tentas passar sobre a vida dia após dia, ano após ano. Mas esse negro que (nos) inspira volta sempre e, de cada vez que volta, volta com mais afinco, porque o que falta, cada vez falta mais.. E o tempo? Maldito esse tempo! Porque quanto mais ele passa, mais longe fica o que realmente queres, esse pedaço que empurraste para bem longe de ti e ao qual anseias dizer "desculpa-me por tudo, sou uma besta"!

Oh tanto que eu escrevo, escrevo para mim, na esperança de que um dia o tempo cure tudo mas, passam 10 anos, outros 10 vão passar e o tempo só me afugentou o momento para pedir desculpas.

E aqui vou eu, com um nó no peito, todos os dias, com uma vontade de gritar. Presa a um passado que não volta mais.

Oh eu escrevo, se escrevo...! Mas eu sei que sou lida do outro lado e, se por um lado, me faz sentir bem saber que sou lida, por outro lado, morro mais um bocado por saber que o longe é cada vez mais longe. E quem empurrou fui eu.

Somos umas bestas.

Um beijo :)