Brown, Just Like Your Eyes

Fonte: Flickr


Admiro certas criações da mãe natureza, na verdade, fascinam-me.

Todas aquelas que vivem contra todas as probabilidades: nas profundezas dos oceanos, onde a luz nunca chega, outras enterradas a centenas ou milhares de metros onde nada mais existe senão escuridão, silêncio, solidão...

Certos organismos foram feitos precisamente para ridicularizar os teóricos do criacionismo, espécies impressionantes com milhões de anos que andam cá há mais tempo do que aquele que o homem é capaz de contar, não obstante a sua tentação para auto-impingir-se, e aos seus pares, uma explicação sobrenatural (obtusa, obsoleta e demente) para tudo aquilo que foge à sua compreensão.

Mas não é sobre religiões, o post. É sobre escuridão.

Também à superfície da terra, como nos seus confins, existem humanos que foram criados dentro da mesma base daqueles referidos no segundo parágrafo, porém, bastante afastados dos mesmos, no que à finalidade da sua existência diz respeito.

Certas pessoas foram mergulhadas nessa imensa negritude no momento da sua concepção. Nasceram cegas, e incapazes de saborear as cores do mundo. Incapazes de reagir perante a felicidade alheia. Incapazes, portanto, de absorver-lhes a(s) essência(s), de se deixarem contagiar pela febre que inunda de felicidade os corações dos outros, à custa de um qualquer evento insignificante que, repetido vezes sem conta, lhes permite viver vidas senão plenas, pelo menos, suficientemente satisfatórias para que não se sintam tentados a esmagar os seus próprios crânios contra as paredes, até mais não restar senão poças de sangue... E o silêncio.

Alguns passam a vida toda à procura do tal "click" que os faça erguer das trevas e lhes alumie tenuemente o caminho, longe de imaginarem que, afinal, é no parágrafo anterior que reside a ciência da vida.

É uma espécie de selecção natural feita à nascença, por uma questão de equilíbrio das coisas, suponho: nem toda a gente pode ser feliz. A felicidade não se alcança lutando. Nem tudo é possível, quando se quer muito.

A facilidade com que desmantelo velhas máximas da humanidade-totó até a mim me assusta. 

Não, meus amigos. Não sou Nostradamus, tão pouco mais inteligente que qualquer um de vós. Sou... Realista, e vivo apenas segundo os dogmas que a minha própria existência me enfiou pela cara a dentro a duzentos quilómetros por hora. Todos os outros me passam ao lado...

E, com quase trinta de experiência, sou suficientemente crescido para ter a certeza que, aconteça o que acontecer, jamais alguém conseguirá convencer-me de que a vida é mais do que uma gigantesca, imensa e (in)finita... Merda.

Até qualquer dia...

8 comentários:

Dora disse...

Em qual blog escreves mais?

Demian disse...

Dora:

Escrevo (um) pouco nos dois, este é o principal (activo desde 2006) (já te tinha respondido a isto no primeiro comentário que me deixaste), mas como são de teor completamente diferente podes seguir ambos, que eu não te ralho. ;)

Dora disse...

Eu bem me pareceu isso mas fiz confusão. Desculpa.

Demian disse...

Sem stress. Pouco escrevo actualmente, mas os devaneios alheios são o sustento do ego, sem eles a inspiração (que já é pouca) encolhe ainda mais, e fica difícil ter vontade de partilhar as ocasionais "baxouxices" que vão escorrendo pelo teclado.

Vai aparecendo (há alguns posts antigos que até são fixes, mas não me perguntes quais que não tenho paciência para procurar, um dia faço uns destaques para facilitar o trabalho da malta, mas quando, não sei.) ;)

Maria do Sol disse...

Concordando com a tua clarividente análise, dói-me a alma de tanto me sentir encurralada nalguns dos teus parágrafos.
Estou viva...estarei de facto?

Beijo

Catsone disse...

Demian, neste momento não posso concordar contigo relativamente ao facto de a vida ser uma "merda". Digo "neste momento" pois já existiram outros em que achei que mais valia não viver; que mais valia esperar pela foice da morte ou mesmo ir ter com ela um pouco mais cedo.
Contudo, a idade amadurece até a mais verde fruta e o aparecimento de novos rebentos na árvore da vida faz ver tudo com um pouco mais de luz.
Abraço.

jardinsdeLaura disse...

És duma frontalidade quase arrogante, que quase incomoda e de que finalmente se gosta! ;-)

Ana Ferreira disse...

Deixo aqui o meu agradecimento por traduzires em palavras tudo o que me vai na alma hoje. Obrigada