(Novelos da) Paixão

(Imagem: Link)


Maquinista de quase todos os comboios sem destino, passageiro porém, perante a inevitabilidade de certos fins, impotente que sempre fui perante forças que, instaladas no núcleo central de processamento desta máquina enferrujada, se desencadeiam a seu bel-prazer, sempre e quando, da insalubridade dos dias emergem sentimentos contraditórios, como o sejam, o amor, por oposição à negritude do meu ser.

Em tempos já distantes, achava eu, inocente, ser possuidor de um conhecimento sobre a matéria, de tal forma vasto, que me haveria de impedir de cair nos abismos em que os outros, à minha volta, mergulhavam, também eles assomados pela histeria mais ou menos controlada em que as suas vidas mergulhavam, aquando da chegada do tal cupido.

Os meus ombros serviram de conforto a tantos seres, que por mais que viva, dificilmente derramarei, até ao final dos meus dias, lágrimas que cheguem para equilibrar a tal balança dar-receber (ou não fosse essa a minha sina, desde sempre).

Tantos anos volvidos, e ainda que não completamente convencido, rendo-me por fim às evidências: tudo o que eu pensava saber, sobre o assunto, se resume a um grande, gigantesco, tremendo NADA...

Ou, pelo menos, é desta forma que me apetece pensar, perante os acontecimentos recentes.

Porque, a deixar-me levar pelas marés do costume, ondas gigantes apoderar-se-ão de mim uma vez mais, provocando o derradeiro tsunami que me varrerá da face da terra, de uma vez por todas.

Se será assim, ou com mais molho... "A ver vamos, como diz o cego"...