Game Over

Como é inglória esta vida! O sentimento de frustração, quando se tem a certeza de algo e se tenta ajudar alguém a sair de um pesadelo que só esse alguém não consegue ver, é amargo e doce ao mesmo tempo. A amargura surge precisamente da sensação de impotência perante mentalidades tão teimosamente obcecadas por algo que não existe. Pela certeza de que por mais que digamos ou façamos, essas mentalidades jamais se abrirão para absorver a dura realidade, e nós, que só tentamos ajudar, salvar, é que somos os maus... No entanto se há lição que aprendi já durante esta curta mas sofrida estadia neste mundo demencial, é esta: tudo o que de bom ou mau fazemos nesta vida, será recompensado, ou castigado, ainda durante a mesma. Não depois da morte, como alguns fundamentalistas das religiões vaticinam e profetizam como se da mais pura e incontestável verdade se tratasse. E é aí que surge a "doçura"... Nasce da certeza de que um dia, mais tarde ou mais cedo, a nossa razão será reconhecida. Só que nesse dia, será tarde demais para alvos da tentativa de salvação. Nesse dia eu estarei de braços cruzados e sorriso na face, e direi: " - Eu avisei-te!"
E é só isso que me consola, só isso me impede de me deslocar uns quantos quilómetros e fazer estragos, pois em boa verdade, no fundo, foi um sermão que ninguém me encomendou. Cumprimentos fraternos de despedida para quem sabe da história. Fica aqui, definitivamente, enterrada.

Para os restantes leitores, a promessa de voltar em breve, com posts que seguramente interessarão mais a quem procura os conteúdos inerentes a um blog deste género. BBS...

Downfall




That's how I feel myself today...


The night of timeless fire is drawing near
I flee... Throughout the years of throe
Watching through a mirror, as I fall apart
I see a wreck, I'm burning

I see angels burning, falling down in ruins
Looking down I see me, I'm my own enemy

Watching myself decaying, falling from high spirits
I flee... Throughout the ruins of me
Longing for finding my way out
Leaving myself, there's nothing left for me
The ruins are about to crumble down.

The flame is dying by shivery winds of jet black skies
It reflects hatred in my eyes

I see angels burning, falling down in ruins
Looking down I see my ashes scattered around my grave

Angels whispering fire, no longer I'm alive
Settled down I'm done with the trip to my kingdom come

In My Time Of Dying...

(a dream on our way to death, by foureyes, deviantart.com)


"Feliz de ti, que tens o dom de respirar..."
O dom... Se o fosse, preferia não ser o escolhido. Esse era o dom que eu dispensava... Porque pior do que estar morto, só (sobre)viver assim. Tanto sofrimento que tinha sido evitado! Tantas lágrimas que não teriam sido derramadas... Mas infelizmente não podemos ter o poder de evitar a nossa entrada neste mundo. E que não me venham dizer que há que saber viver para ser feliz, bla bla bla. Porque existem pessoas que, simplesmente, não têm uma oportunidade de VIVER. E às vezes isso torna-se sufocante... A pontos de pensar que nada mais vale a pena. E só existe uma saída... Mas no último instante há sempre algo que nos impede de cair. Um telefonema inesperado de alguém que mal conhecemos mas que nesse instante se transforma na pessoa mais importante do mundo. Ou um pensamento teimoso que nos faz gritar de raiva e dar um passo atrás. Não sei porque isto acontece, nem se acontece a todos aqueles que acharam ter chegado o momento. Talvez um dia, NO dia, o telefone fique sem bateria. E o cérebro esteja demasiado destruído para sequer pensar.........

No Exit?

(the suffering, by posed to death, deviantart.com)


Eis o regresso às origens do blog. A banda sonora da minha libertação criativa. A inspiração tem faltado, bem como a vontade de a procurar nos confins da minha mente insuportável/insustentavelmente cansada das sucessivas batalhas que trava consigo própria diariamente.
O poema de José Régio ecoa no meu cérebro de uma forma inexplicável... As vezes dou por mim a pensar nele e um sorriso irónico acaba por escapar inevitavelmente. A genialidade do poeta é por demais evidente, naquele que é um retrato oportuno de muitas mentalidades. A falta de coragem da maioria daqueles que com ele se identificam, é a causa da maior parte dos seus problemas... É fácil dizer "não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí". O pior é quando não existe a coragem ou a vontade suficiente para fugir à marcação apertada dos "aprisionadores de vidas". Para não ir por ali. Para desenhar os próprios pés na areia inexplorada ao invés de permitir que esses mesmos pés sejam constantemente pisados, propositadamente, pelos tais "superiores"... E a própria dignidade é muitas vezes posta de parte, para que a vida, mesmo sendo má, possa continuar.
Acho que a coragem está a chegar, e começo a pensar: there is an exit for me...

Cântico (que não vai ser mais) Negro

Às vezes é difícil escrever algo que ao mesmo tempo consiga ser profundo e acessível... Para ti que já mudaste a minha vida, fica apenas a constatação desse mesmo facto, que por si só já diz muita coisa, se atendermos às condicionantes que existem e às limitações próprias da história que ainda agora começou. Espero que para variar, nas nossas vidas turbulentas, esta seja uma história com final feliz. E como não sou muito de lamechismos, deixo-te aqui o meu poema favorito, esse que ouviste magistralmente interpretado pela voz de uma grande banda portuguesa...



«"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Ha, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguem.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mae.

Não, não vou por ai! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vos responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pes sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pes na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vos
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avos,
E vos amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sabios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguem.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguem me dê piedosas intenções!
Ninguem me peça definições!
Ninguem me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um atomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por ai.»

(José Régio)

Little Brains v1.21

Ora aqui ficam mais algumas pérolas da língua portuguesa, orgulhosamente proferidas pelos meus vizinhos neste humilde espaço. Esses grandes senhores da guerra! (Quem tiver por aí um tradutor dos bons é favor avisar.........)

"AHAHAHAHAHAH!!! Acampadão da merd*, chupa taco!!" "Oh filho da put* vais cag** esse balázio!" "Vamos fazer (Bótemápe)1 eu kero k vão todos pa CT!" "Tu nao eras terrorista ó filho da put* pissudo??!" "Ah corno do caral**, mais uma dessas e voltas a entrar pela co** da tua mae!!!" ... ... ...

Aqui fica o testemunho. O próximo patch não deve tardar, a editora está constantemente a actualizar o software... ;)

Revenge

A vontade que eu tinha de escrever aqui umas verdades hoje... Mas por respeito às pessoas que visitam o blog com o intuito de ler algo com o mínimo de interesse, não o vou fazer. Para a put* rosqueira que hoje achou que conseguiria o seu objectivo ficam aqui seis palavras: quem ri por ultimo, ri melhor. E mais não digo, em consideração às tais pessoas que têm este espaço em boa conta. A elas as minhas desculpas, mas não podia deixar de escrever isto hoje.

Sufoco...

(deviantart.com)


Já não me reconheço. No meio dos escombros não resta muita coisa... Apenas as memórias do que em tempos foi belo, do que em tempos me fez sentir vivo. Essas memórias atropelam-me constantemente, sem que as consiga evitar. Por mais que olhe para os dois lados da rua antes de atravessar, há sempre alguém que não consigo ver e acaba comigo impiedosamente, uma e outra, e mais outra vez. E esse alguém é sempre o mesmo. Ergue a sua altivez como um facho, tão alto que apenas a mim queima. "Não te deixes afectar", dizem-me alguns, "afinal é passado". Mas ninguém pode entender o que sinto. Pois só quem sente pode entender determinadas coisas... Sensações e sentimentos tão opostos que se misturam e provocam uma reacção em cadeia, que de tão incontrolável só pode ter um final infeliz. Só existem duas saídas possíveis. Em qualquer dos casos, there will be no farewell...

Little Brains v1.0

"Acampouço!" "Quem foi o filho da pu** k me matou??" "O cabr** k me arrebentou vai levar um murro nos corn**!!!" "Ahah fod*-te à bombada!!!" "Mijão, anda cá com a naifa se tens quilh*e*!!!" "Bamos andar de carro!!!" "Oh Jonas és kê? - Terrorista. - Ah ainda bem!" "Já te vi animal tas aí acampado com a sniper seu reco!!" "Oh fod*-se a mim dois não caral**!!!" "Suicidei-me!!!!" ... ... ...

Isto são apenas algumas das pérolas da língua portuguesa que ecoam nos salões de jogos um pouco por todo o lado, nesse que tantos consideram o jogo dos jogos, o tal CS. Verdadeiros mestres na arte da matança, estes espécimes exemplares da raça humana divertem-se horas a fio a jogar em rede. Ainda agora aqui ao meu lado, um puto para aí com 14 anos (tresandando a erva) pragueja alto e bom som o mais variado reportório de palavrões que se possa imaginar, enquanto martiriza o rato e o teclado do PC com violentas pancadas.
Aqui fica um breve retrato da pequena comunidade onde estou inserido. Dava para uns quantos sketches da Little Britain... But.. "Computer says NO!" ;)

Saudade...

(saudade, deviantart.com)


Dizem alguns que é a mais portuguesa de todas as palavras... Porém, não importa em que língua seja pronunciada, só quem a sente pode entender o seu significado... Hoje sinto-a, cruel. Não existe nenhum motivo particular. Uma memória especial de alguém que partiu é suficiente para escrever este post que muitos vão achar banal. Mas não é por isso que deixo de o escrever, pois basta que uma pessoa apenas dê um sorriso ou verta uma lágrima para que tenha valido a pena. A tristeza infinita pela perda de alguém querido nunca se desvanece. Que ninguém me diga que o tempo apaga tudo, porque é MENTIRA. Daqui a 2 meses faz 2 anos que ela partiu e a saudade é cada vez maior. O tempo passa e eu jamais a esquecerei. A cada dia que passa, a saudade só se intensifica e às vezes é sufocante. Saber que nunca mais poderei afagar-lhe a face, que ela não voltará a chorar por mim nem a deixar de comer quando eu me ausentava por uns dias, que ela não voltará a olhar-me nos olhos com o mais profundo dos sentimentos, que ela não volta jamais... Restam as memórias. Dos bons momentos... E do momento em que ela olhou para mim a ultima vez antes de cair, sem vida, com a maior dignidade imaginável, depois de uma semana de um sofrimento atroz que nos colocou a todos a reflectir sobre o verdadeiro sentido e significado da vida. Falo por mim... Jamais te esquecerei...

Será que o tempo existe? Ou será ele apenas mais uma das nossas ilusões?
Mais uma vez fica uma questão para a qual ainda não encontrei resposta...

My Weakness 2

O fim do mundo, do meu mundo, tal como o conheço, está próximo.
Por vezes aquilo que desejamos nunca se concretiza. Mas quando o desejo é tão forte que se torna uma obsessão, a sua concretização nem sempre se afigura mais fácil, e acontece precisamente o contrário.
Por mais que nos esforcemos por por atingir objectivos, às vezes aparecem obstáculos que são, simplesmente, intransponíveis... Será mesmo assim, ou seremos nós demasiado fracos, demasiado comodistas, preferindo simplesmente aceitar esse facto ao invés de tentar ultrapassá-los e arcar com as consequências?
Ainda não encontrei a resposta para esta questão...

Wrong Choices

"How does it feel?, to be on your own, no direction home, like a complete unknown, like rolling stone..." (Bob Dylan)
Quando se chega ao ponto de saber esta resposta, já muitas coisas na vida deixaram de fazer sentido. Provavelmente, a própria vida deixou de o fazer. Há muitas interpretações possíveis para isto. Na minha perspectiva pessoal a genialidade do individuo que concebeu este poema é directamente proporcional à sua loucura. Tal como um velho amigo me disse um dia, "Na vida tudo é feito de escolhas, e tens sempre 2 caminhos que podes seguir. Por isso, seja qual for aquele que escolheres, era apenas uma das opções que tinhas, logo, não adianta lamentares-te. Simplesmente, vive." ... Em parte eu subscrevo estas palavras. No entanto, existem algumas delas (escolhas) que podem ser de tal forma erradas, que levam o individuo a perceber a tal resposta à pergunta formulada em cima... É o meu caso... Mas sobre isso falarei num outro post.

The Quiet Place...



Um Lugar Tranquilo

O ruído contínuo, irritante, da máquina de dardos do "Ti Manel", proprietário deste humilde espaço onde me encontro a tentar escrever algo inutilmente legível, perturba-me hoje mais do que o habitual. Eu só queria um pouco de silêncio para ver se esta dor de cabeça horrível acalmava um pouco...

Everything Dies



My Weakness

Há uns anos, durante sete ou oito noites consecutivas, tive o mesmo sonho. Um sítio onde eu estive um dia era a ultima recordação antes de iniciar uma queda vertiginosa por um túnel escuro. Ao fundo havia uma luz amarela... Mas a queda parecia interminável. Aí ouvia um grito de uma voz desconhecida, quase em surdina, e acordava... Acordava completamente desorientado, com o coração a mil, uma sensação indescritivelmente má.
Durante todos estes anos lembrei-me desse sonho umas quantas vezes, sempre em períodos de grande depressão e turbulência psíquica... Ultimamente, não consigo pensar noutra coisa. Desde a primeira vez que o tive que tenho a certeza do seu significado. A morte... Muitos achar-me-ão louco. Mas não importa, é para isso que os blogs servem também. Desde essa primeira vez, a morte passou a ser um assunto que me fascina até um determinado ponto. Não a temo, muito pelo contrário. Penso tantas vezes nela, no quanto eu gostava de adormecer e nunca mais acordar.
Será que somos apenas shadows and dust? ...

Cogitações de uma mente distorcida

"The weakness of hope is the strenght of decline"...
Fazer disto um lema de vida é fácil. Difícil é resistir a isso... No meu caso, o processo de decadência já foi iniciado há bastante tempo. A força da esperança foi tantas vezes vencida pelo poder das inúmeras adversidades que já quase não existe...
Justificações são muitas, as de sempre, e mais algumas. But... Who cares? Já houve quem quisesse saber, ou pelo menos, já houve quem me tenha convencido disso. No entanto, a efemeridade das coisas boas que acontecem na minha vida é directamente proporcional à minha habilidade excepcional para acabar com elas.
Se eu acreditasse nessas coisas diria que é uma maldição, mas como não acredito, não encontrei ainda uma explicação. Estarei eu a ficar louco?

I Break

Sounds of imbalance
Sleeps through the never
The artificial lightsource
Is creeping with flies

And this time i break
I will never make
Another day
Defiant to what's delivered

I will find a way
To sever myself
Exit all today
You can't see this
Did you ever say
I break sever
I will find a way
Visit me when i'm there

The weakness of hope
Is the strength of decline
Remember what's past ways
And what i've become
The joy of not being
Something i need
I'm only weather
But only to me


(Katatonia, 1998)

Timelessness


I've felt darkness
closing in on me
Chilling shadows
surrounding me
I've had the poison
leak into my skin
And it corroded my heart away
Bled away
Cut away
Dark night of my soul...
(Fear Factory, 1998)