Are We There?

(Imagem: Link)



Qual chama que água alguma apaga, grito em surdina capaz de apaziguar a mais tortuosa das almas, esta corrente de estranhos sentimentos que se arrastam no tempo e se perpetuam na ponta dos dedos,

errantes e exaustos na busca de uma paz permanente, fugidia.

We've always been there.

Mas quem somos afinal?

Pássaros sem asas planando ao sabor dos ventos, das tempestades, das correntes...

Sementes perdidas, ansiosas pelo solo fértil que nos fortaleça as raízes,

e nos permita enfrentar o tempo que nos resta neste espectro invisível e cruel,

cegos que estamos por nada mais conhecermos além da escuridão.

Seremos capazes de suportar a dor quando abrirmos os olhos pela primeira vez, e as trevas tiverem dado lugar à luz que nunca vimos?

Ela anda por aí, ao fundo de um túnel qualquer...

Let's find it together? 



Dispossessed

(Imagem: Link)


Sentimo-nos desapossados de todos os bens, materiais, imateriais, tudo, enfim

e nem tempo temos para parar e questionar-nos: como é possível termos chegado a este ponto?

Está em marcha uma corrida louca, do tempo contra nós próprios, e não há esquinas que nos protejam das chamas de um inferno real que nos consome,

por mais geladas que estejam,

por mais vontade que tenhamos de as deixar amenizar as fúrias que nos controlam...

Necessitamos urgentemente de um néctar qualquer que nos permita continuar, mas não sabemos de onde desenterrá-lo...

Será possível extrair ao vazio a essência da vida?

Outra coisa não fazemos senão tentar, e falhar, uma e outra, e mais outra vez,

até que cansados de arrastar os pés sangrentos,

nos daremos por vencidos num descampado qualquer, debaixo de um luar qualquer num lugar qualquer.

E quando prostrados no chão vazio, teremos então ao alcance das nossas mãos as raízes putrefactas de uma vida sem norte,

para que possamos então arrancá-las e descansar,

nos braços de um silêncio qualquer.

Por fim...