Um Recadinho



Triste condição, a de alguns seres humanos. Continua a entristecer-me, a volatilidade de alguns espíritos, frágeis, prontos a explodir a qualquer instante, dissipando-se com a mesma facilidade com que foram concebidos, no início.

Prontos a embrenharem-se, com vontade, nas lutas infundadas, a roçar o ridículo, para as quais se julgam mobilizados por uma força (hierárquica?) teoricamente superior, mas que na prática, e aos olhos da lucidez, se resume a NADA.

Convictos da sua pseudo-capacidade em transformar água em vinho, que é como quem diz, de extrair dos NADAS uma soma de virtudes divinas capazes de guiá-los pelos caminhos que julgam ser os seus predestinados, estes bloggers desesperam, hoje e sempre, por um minuto da atenção dos seus heróis, pois só assim conseguem alcançar uma espécie de paz interior que é suficiente para acalmar a fúria da solidão que os consome por dentro.

Quando a fraqueza nos impede de discernir correctamente a realidade da ficção, quando a única fonte de positivismo se situa algures online atrás do ecrã de um computador... Pouco ou nada há a fazer.
Consciencializarmo-nos do problema, é o primeiro passo para a sua resolução.

Não sou médico, psicólogo ou psiquiatra. Não sou perfeito, aliás, sou muitíssimo imperfeito. No fundo, sou um tipo comum, extremamente céptico e terra-a-terra, que vê na blogosfera mais um meio de se expressar, um escape por vezes, mas não mais que isso. A minha vida/felicidade não dependem disto, nem pouco mais ou menos. Não preciso de um blog para ter amigos/ser feliz. Não bajulo quem quer que seja, pois ninguém é superior a mim. Nem inferior... Não sou um monstro de sete cabeças, sou aliás, um indivíduo extremamente acessível, não obstante a tremenda complexidade da minha personalidade.

Exijo respeito para com a minha pessoa, da mesma forma que eu também respeito toda a gente. Que ninguém tente banalizar-me, estupidificar-me ou personificar em mim outrem, seja ele/ela quem for. Não gosto, não quero nem permito.

Fica feito o aviso. Quem tiver alguma coisa a dizer, quem deseje contactar comigo além deste espaço, tem um endereço de e-mail público acessível no meu perfil.

E é tudo, por enquanto.

Desculpem lá qualquer coisa, mas tinha mesmo de dar este recado.

Fragile Dreams

(Imagem: Link)


Ouvia-se ao longe, o persistente tic-tac do velho relógio de pêndulo que teimava em resistir à força da própria razão da sua existência: o tempo.
Um dos últimos estandartes da resistência ecléctica dos que não quiseram ir, "porque não queriam perdê-lo", diziam. O tempo... Preferiram afogar-se nas paredes oblíquas, tomadas pelo bolor dos dias todos iguais, que ao de leve passavam, por entre frisos, frestas e buracos, mais psíquicos que propriamente físicos.

Preferiram deixar-se por lá estar, indiferentes ao cheiro húmido da podridão jazente, tomados pelo selvagem desejo da tal morte que preconizavam. Da tal morte dissecada, explicada e teorizada à sua maneira, nos milhões de pequenos papéis espalhados pelo chão, escritos a lápis vermelho, da cor do sangue vivo que jorrava dos seus corpos, sempre que mais um pouco de carne era arrancado, em nome do tal castigo divino, auto-imposto, em nome de tudo o que não foram, porque não.

E ele queria tanto, juntar as peças de todos os puzzles, compreendê-los, para compreender-se por fim... Mas era incapaz. Faltava sempre a força para derrubar a porta... Ou as palavras, nunca suficientemente sucintas ou cativantes, a pontos de os demover da única vontade que haviam tido, desde sempre.

E assim sendo... O jogo acabava ali mesmo, para ele.

The road ahead is lined with broken dreams... So walk, yeah, walk on by...