Delírios...


Na forma de um coração
De um qualquer povo que chore
E sofra sem ter nunca vivido
D’alma de um sofredor vendido
Por dois tostões arrependido
De mais não ter sido senão dor
O que em tempos teve a cor
Brilhante do sol que nasce
Das mãos de um sonhador.

Pensou ser de abrigo, o porto
Em que um dia atracou, sereno
Longínquo como o passado
Inesquecível, como a ferida
Por ela aberta e jamais esquecida
Impotentes palavras perante o mar
De precipícios a seus pés,
Afinal, demasiado feridos, queimados
Enrugados e temerosos, preparados
Ofertados à terra, inolvidável,
E por ela, para sempre, sugados.