Por Quem (Não?) Esqueci...


Uma vez mais sem razão nenhuma em específico, e desta vez, nem sequer estou atacado pela melancolia de sempre... Apenas para desfrutar de uma das melhores músicas alguma vez produzidas em terras de Camões.

Há uma voz de sempre,
Que chama por mim.
Para que eu lembre,
Que a noite tem fim...

Por sinais perdidos,
Espero em vão.
Por tempos antigos,
Por uma canção...

As If I Ever...



Histórias se contam, histórias haverão de continuar a contar-se com mais ou menos fulgor, assim o permitam as contínuas e irritantes intermitências de uma vida que à sombra, ou à luz do candeeiro, se dedica cada vez menos à preservação do inestimável valor daquilo que a fez, um dia, valiosamente bela.


Assim eu continue, a acreditar que é possível esquecer. Quiçá não seja, e eu continue apenas a alimentar a vã esperança de um dia subir até ao limite de mim mesmo, pisando e repisando o que me impede por hora de o alcançar… As memórias. As memórias…


Assim vocês continuem, desesperadamente, a tentar tirar-me do tal poço, ainda que não exista no mundo corda alguma, suficientemente longa para atingir o fundo, suficientemente forte para aguentar o peso de vinte e tal anos de frustrações, mágoas e desilusões.

Um dia virás comigo, provarás desta água com sabor a morte que me deste a beber, sabendo que era nisto que me transformaria… E também tu, que cedo arruinaste o futuro do teu próprio projecto, abandonando cobardemente o barco no único bote salva-vidas existente, depois de seres o causador do seu naufrágio. Afundar-se-ão ambos comigo, no dia em que perante vós eu apresentar a factura pelos serviços que me obrigastes a prestar, a mim próprio, e àqueles que menos mereciam estar a passar, e ter passado, por tudo isto…

“Porque quando o sol se puser, poderás ter de enfrentar... o fim…” …


Feliz ano novo, meus amigos.