Step By Step, Till The End

(decay, by mysticalpotatohead, deviantart.com)



Tão cruéis, essas facas que tendes, essas que me matam lentamente sem que eu sinta, sequer, a picada.

Já não sei defender-me. Não quando me destruístes todos os escudos que restavam. Fostes vós, que provavelmente nem me ledes, os culpados de quase tudo. E eu definho. Limito-me a definhar nesta miserável terra de ninguém. Mais não faço que deixar correr o sangue, de punhos bem fechados e dentes bem cerrados. Podeis chamar covarde ao homem que se deixa derrotar? Mesmo que o inimigo seja invisível?

E às pequenas coisas que vão atenuando, ou adiando o inevitável, perco-lhes o rasto mais depressa que um faminto devora um naco de pão.

A vontade é conhecida há demasiado tempo… Tem faltado a coragem, somente a coragem.

Não vejais isto como um pedido de auxílio… É apenas mais um desabafo, do homem que já nem para gritar tem forças… Do ser humano que perdeu, definitivamente, a noção do que é sê-lo, na maioria dos mais elementares sentidos que possais atribuir à expressão…


Oh, spread your wings, there is more than this darkness... Open your eyes, the horizon has no end. You can see forever, you can know all time, you can live forever...

Paz, Poeta e Pombas


A Paz viajou em busca da silêncio

Sitiou Berlim
Abdicou em Londres
A Paz saltou dos olhos do poeta
Atacada de psicose maníaco-depressiva

Foi nessa altura que as pombas
Solicitaram nas agências as tarifas
Mas não viram mais o poeta
Que gozava na Suiça
Duma licença graciosa

A Paz saiu aos saltos para a rua
Comeu mostarda
Bebeu sangria
A Paz sentou-se em cima duma grua
Atacada de astenia

Foi nessa altura que as pombas
Solicitaram nas agências as tarifas
Mas não viram mais o poeta
Que gozava na Suiça
Duma licença graciosa*


*Poema/canção (quase absurda, de tão excelente) do mais genial de todos os compositores/intérpretes que este país já conheceu, o saudoso José Afonso. Para variar um pouco...