Broken Glass

(Secrets, by lorenzom21, deviantart.com)



Por que misteriosos caminhos poderá alguém (em que aprendemos a confiar desde sempre) deambular, antes que nos apercebamos do que se passa verdadeiramente? Durante quanto tempo se pode encobrir uma mentira, antes que as consequências da mesma expludam bem no meio do círculo, devastando tudo o que previamente havia sido (re)construído?

Eram essas duas interrogações que lhe assolavam a paz de espírito (que já merecia, diga-se de passagem). Como se os seus problemas não bastassem, como se eles não fossem suficientes para transformar cada segundo da sua existência no tormento incomportável que continuava a ser...

E se nas suas mãos não residiam soluções para todos os males, que poderia ele fazer para aliviar a si próprio tamanha carga em cima dos ombros? Não podia simplesmente esquivar-se, fingindo hipocritamente que nada se passava e tudo estava bem, quando na realidade, nada estava...
Era um mero pião, nas mãos de quem nem sequer supunha que o seu maior segredo estava a ser, assim, a causa maior do lento definhar daquele indivíduo que por lá se arrastava dia após dia, quando nem sequer havia pedido para nascer...


... teardrop on the fire, feathers on my breath...

Sem Título

(the end, by zzubevol, deviantart.com)



A tortura da incerteza. O não poder confiar em mais ninguém, quando disso necessitava mais do que de pão para a boca. Os punhais, cravados nas costas.

É disto que eu vivo, meus amigos... É nisto que me vou afogando.
E hoje até vos falo em discurso directo, mais indiferente que nunca ao que de mim possais pensar. É como uma faca de dois gumes, este "ofício" da escrita... Alivia, espremer a alma neste espaço negro - saber que como nós existem outros, também eles vagueando em busca de algo que não podem obter, em busca do remédio capaz de curar a ferida que nenhum outro conseguiu... Sabe melhor que o abraço daqueles que (hipocritamente) dizem compreender o que sentimos... Hipocrisia ou falsa solidariedade, a única dúvida reside no termo aplicável - ninguém me convencerá, jamais, que alguém que assim não (se) sinta possa entender, ou sequer imaginar, o que se passa cá dentro...

Por outro lado, a certeza de que a sanidade há muito partiu, quando da vida mais não se espera senão o seu próprio fim... E digo-o, com a certeza de quem sobre ele (o fim) vem reflectindo, desde o dia em que lhe perguntaram se, de facto, alguma vez o tinha realmente feito...
É o reverso de uma medalha que eu, mais que nunca, desejava que ninguém me tivesse oferecido...