A Little Game

Once, I had a little game
I liked to crawl back into my brain
I think you know the game I mean
I mean the game called 'go insane'
Now you should try this little game
Just close your eyes, forget your name
Forget the world, forget the people
And we'll erect a different steeple
This little game is fun to do
Just close your eyes, no way to lose
And I'm right there, I'm going too
Release control, we're breaking through



(Jim Morrison)


(Still havin' this little game. It souds more funny each time I play it...)

(hidden death, by seabass901, deviantart.com)



A morte... Chegado do funeral de uma conhecida, recosto-me pensativo, enquanto escrevo (transmitir sentimentos através de palavras é um exercício deveras complexo, impossível talvez).

Caixão aberto e face descoberta, ei-la, de olhos semicerrados no seu leito de morte. Quase todos acabam assim um dia, despojados das suas vidas mais ou menos preenchidas. Não imagino como terá sido a daquela mulher - pela sua aparência tranquila diria que não sofreu muito, no momento da sua partida, que era também esperada. E quando assim é, quando as pessoas tomam consciência da sua inevitabilidade, o FIM deixa de ser temido, receado.

Sentado num recanto daquele templo católico (que me provoca sensações angustiantes, como uma força invisível que me empurra e me relembra que não é ali que eu pertenço), permiti-me voltar a fazer algo que (cada vez mais) me dá um prazer inexplicável. De olhos bem abertos, projectados no vazio, deixei de ouvir os choros e as orações, deixei de ver toda aquela gente, os santos, as paredes... Como um trip. Por breves instantes o meu espírito voa, por lugares que eu não conheço (e que contudo visualizo mentalmente, com a maior das clarividências) - e fico... digamos...extasiado. Durante breves segundos, sou feliz... Insanidade?
Depois o regresso à realidade - os choros e as orações, a marcha do costume e o corpo à terra.

Quando eu me for, não quero lágrimas, orações, rituais, flores ou velas. Não quero o meu corpo devorado por larvas, sete palmos abaixo. Quero ser, simplesmente, pó... que as minhas cinzas sejam espalhadas ao vento...

...e que de mim restem, apenas, memórias.