Esquecimento...

(forgotten, by TwoOfHearts, deviantart.com)


Sinto-me inexplicavelmente arrasado, hoje. Uma tristeza profunda, sem razão aparente... É grande o esforço que tenho feito ao longo do dia, para me manter fora da cama. Em concreto, não posso dizer-vos o que se passa dentro deste cérebro em ruínas, pois os sentimentos, esse defeito de fabrico do ser humano, não podem ser explicados.

A vida já não me sabe bem. É quase um estado catatónico, aquele em que me deixei mergulhar, numa atitude de total apatia em relação a tudo (e todos) os que me rodeiam... E a mim próprio. Com o passar do tempo, tudo se vai desvanecendo e perdendo o pouco sentido (positivo) que ainda lhe poderia atribuir... Pequenos prazeres da vida, como tomar um café, cumprimentar um(a) amigo(a) ou ouvir aquela música de sempre, deixam, cada vez mais, de o ser... Prazeres.

A minha postura perante os outros já levou alguns a repararem, "não és o mesmo"... Presumo que isso seja positivo, pois custar-lhes-à menos, no dia em que a minha sombra deixar de pairar sobre as suas existências. O facto de não o fazer propositadamente, é para mim mais um claro sinal do óbvio, apenas mais uma etapa no longo caminho que cada vez se aproxima mais do seu inevitável desfecho.

[What I was looking for, as expected, isn't something I can have... From now on, I'll never look again (for something which can't be found). Anymore...]

Confiança

Em mais uma daquelas incursões inúteis por sítios de ninguém, deu consigo a pensar (de novo). Mais instável a cada dia que passa, já nada o convence, e tenta procurar em todas as coisas uma explicação tão racional quanto possível. É então que lhe surge esta dúvida: Confiança. O que é, afinal, a confiança?

Um dia, acabado de chegar ao Buraco, olhou em frente, e viu o seu reflexo numa velha máquina de jogos arcade, desligada. Engoliu em seco e conteve-se, para não gritar. Aquilo que ali via não era ele... Aquele não era o indivíduo que um dia teve o sonho de ser alguém... Não era uma pessoa, porque as pessoas vivem. Era antes, um reflexo apagado, uma sombra de algo cuja chama vital se apagou, uma vela que ardeu até ao fim, restando dela apenas a cera queimada na base do castiçal... E foi-se embora.

Destruído uma vez mais, isolou-se (mais uma vez) no seu canto. Lá, esperava por si aquela que traria a resposta para a dúvida que lhe assolou a mente, ao inicio da noite. A tal Confiança...
Dona de uma mente tão pura que parece retirada de um filme infantil, com a sua simplicidade gritante, sorriu para si e os olhos, os tais "espelhos da alma", confortaram-no como se de repente, toda a sua (in)existência passasse a ter sentido.

A suas palavras impediam-no de adormecer, tal o impacto que tiveram em si. Sorriu, sem querer, algo que não acontecia há muito. Acreditou nela, por fim. CONFIOU nela... Porque, contra todas as probabilidades, ela CONFIOU em si...

Duas horas depois, tinha finalmente definido um conceito para a tal palavra.. Haverá mais, indubitavelmente. Mas para si, nesse caso concreto, bastou-lhe aquele. Prometeu não o partilhar com mais ninguém (seria apenas deles). E adormeceu...


Este é um post dedicado a alguém especial. Essa pessoa sabe que é só seu, o texto.