Adrenalina



Parou de chover por instantes... E a alegria voltou! Pálida e efémera é certo, como um sorriso sincero de alguém que acabou de ouvir em murmúrio, uma palavra carinhosa da única pessoa cujas palavras carinhosas significam algo de verdadeiramente especial. A adrenalina soltou-se por instantes, poderosa, como raramente havia acontecido anteriormente. Uma sensação de poder invadiu então cada recanto daquele ser turbulento, o mundo esteve a seus pés naquele curto espaço de tempo. É incrível como tão pouco é por vezes tanto, quando tudo o resto é tão cinzento, tão monotonamente repetitivo, doentio, desesperante...
O regresso à normalidade teve então um impacto menos negativo que o espectável, pois a esperança não se desvaneceu como outrora... O dilúvio que entretanto se abateu sobre o lugar, não mais trouxe que uma pequena inundação, mas o sorriso cínico, pela primeira vez, não se esbateu, e continua lá estampado naquela face, cujos olhos desgastados brilhavam hoje como nunca antes acontecera...

Turbulência

(The Perfect Storm II, deviantart.com)


Com os relâmpagos regressaram os tempos de turbulência, e o consequente impacto nos meus dias já de si pouco estáveis. A inspiração para escrever não existe, tão pouco a vontade de a procurar nos confins deste cérebro cada vez mais desgastado e fraco. Com a chuva se foram mais alguns sonhos, ilusões criadas uma vez mais, sem fundamento ou aparente razão de ser. Sem que o consiga evitar ou sem que alguém o consiga perceber, dou por mim encostado às paredes sem a mínima vontade de nada. Derrotado uma vez mais, pelo tal inimigo invisível que me vai destruindo aos poucos. Inerte, desmotivado, descrente, auto-excluido. Morto...

Still rainin' inside my world...