In My Time Of Dying...

(a dream on our way to death, by foureyes, deviantart.com)


"Feliz de ti, que tens o dom de respirar..."
O dom... Se o fosse, preferia não ser o escolhido. Esse era o dom que eu dispensava... Porque pior do que estar morto, só (sobre)viver assim. Tanto sofrimento que tinha sido evitado! Tantas lágrimas que não teriam sido derramadas... Mas infelizmente não podemos ter o poder de evitar a nossa entrada neste mundo. E que não me venham dizer que há que saber viver para ser feliz, bla bla bla. Porque existem pessoas que, simplesmente, não têm uma oportunidade de VIVER. E às vezes isso torna-se sufocante... A pontos de pensar que nada mais vale a pena. E só existe uma saída... Mas no último instante há sempre algo que nos impede de cair. Um telefonema inesperado de alguém que mal conhecemos mas que nesse instante se transforma na pessoa mais importante do mundo. Ou um pensamento teimoso que nos faz gritar de raiva e dar um passo atrás. Não sei porque isto acontece, nem se acontece a todos aqueles que acharam ter chegado o momento. Talvez um dia, NO dia, o telefone fique sem bateria. E o cérebro esteja demasiado destruído para sequer pensar.........

No Exit?

(the suffering, by posed to death, deviantart.com)


Eis o regresso às origens do blog. A banda sonora da minha libertação criativa. A inspiração tem faltado, bem como a vontade de a procurar nos confins da minha mente insuportável/insustentavelmente cansada das sucessivas batalhas que trava consigo própria diariamente.
O poema de José Régio ecoa no meu cérebro de uma forma inexplicável... As vezes dou por mim a pensar nele e um sorriso irónico acaba por escapar inevitavelmente. A genialidade do poeta é por demais evidente, naquele que é um retrato oportuno de muitas mentalidades. A falta de coragem da maioria daqueles que com ele se identificam, é a causa da maior parte dos seus problemas... É fácil dizer "não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí". O pior é quando não existe a coragem ou a vontade suficiente para fugir à marcação apertada dos "aprisionadores de vidas". Para não ir por ali. Para desenhar os próprios pés na areia inexplorada ao invés de permitir que esses mesmos pés sejam constantemente pisados, propositadamente, pelos tais "superiores"... E a própria dignidade é muitas vezes posta de parte, para que a vida, mesmo sendo má, possa continuar.
Acho que a coragem está a chegar, e começo a pensar: there is an exit for me...